Utilização das redes fixas dispara até 70% com o coronavírus. Mas não deverá ser preciso “desligar” Netflix

A utilização das redes fixas em Portugal disparou até 70%, por causa das medidas de combate à pandemia. Governo permite "desligar" Netflix, mas Meo está confiante de que não vai ser necessário.

Escolas fechadas e milhões de portugueses em casa. Este é o cenário do país desde a semana passada, altura em que a pandemia do coronavírus passou a exigir medidas mais drásticas de confinamento e a generalização do teletrabalho. Desde então, uma boa parte da economia passou a assentar nas redes de comunicações, resultando num disparo de até 70% na utilização, segundo dados agora divulgados pelas operadoras.

Numa ação conjunta, e as questões colocadas pelos jornalistas, Meo, Nos e Vodafone revelaram esta quarta-feira as evoluções verificadas na utilização das suas redes na semana de 16 a 22 de março, comparativamente com a semana anterior de 9 a 15. Os dados não deixam margem para dúvidas: as redes de comunicações tornaram-se ainda mais críticas, numa altura em que o Governo já deu mais “poderes” às telecoms para bloquearem serviços não essenciais, caso se revele necessário para a manutenção da qualidade dos acessos.

No caso da Meo, detida pela Altice Portugal, o tráfego na rede fixa (internet residencial) aumentou 35% na passada semana, enquanto o tráfego móvel (dados móveis) aumentou 10%. A operadora registou ainda um aumento de 30% na utilização de voz móvel (chamadas pelo telemóvel), assim como de 80% na voz fixa VoIP (em linhas gerais, chamadas com telefones fixos ligados ao router).

A Meo também assistiu a um disparo de 15% no consumo de televisão e de 9% na utilização da TV não linear (ou seja, gravações, funcionalidade de avançar e recuar na emissão, etc.). No campo dos serviços OTT (over the top, entre os quais se inclui Netflix, WhatsApp, entre outros), o disparo foi de 45%, numa altura em que a Netflix e o Youtube, a pedido da Comissão Europeia, já reduziram a qualidade dos streamings para prevenirem um possível colapso das infraestruturas de comunicações europeias.

No caso da Nos, o tráfego de rede fixa (internet residencial) disparou 70%, a maior evolução observada entre as três grandes operadoras, enquanto o de rede móvel (dados móveis) aumentou 45% no mesmo período, comparativamente com a semana prévia. Já a utilização de voz fixa (chamadas por telefone fixo) disparou 133%, enquanto a utilização de voz móvel (chamadas pelo telemóvel) aumentou 41%. A operadora revelou ainda que o consumo de TV não linear cresceu 13%.

Quanto à Vodafone, a operadora registou um disparo de 67% no tráfego de rede fixa (internet residencial), bem como de 8% nos dados móveis, enquanto a utilização de voz móvel (chamadas pelo telemóvel) aumentou 41%. Já o consumo de TV não linear avançou 11%, abaixo da subida de 25% na utilização de serviços OTT, como a Netflix.

Meo confiante: não deverá ser preciso “desligar” serviços como a Netflix

O Governo publicou em Diário da República, na segunda-feira, um documento com uma série de medidas que permitem que as operadoras portuguesas bloqueiem serviços não essenciais, em último recurso, para evitar constrangimentos nas redes de comunicações em plena pandemia do coronavírus. Entre eles, os videojogos e a Netflix.

No entanto, numa conferência telefónica com jornalistas esta quarta-feira, o presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, mostrou-se confiante de que não será necessário recorrer a esses poderes alargados nesta crise: “Não há qualquer indício à data de que estejamos na iminência de tomar as medidas que o decreto-lei prevê”. Ainda assim, o gestor reconheceu que a Meo está “a verificar crescimentos significativos nos consumos dos portugueses” e apontou para a “resiliência” das redes da empresa.

Uma evolução também destacada pela Vodafone: “Desde o início da segunda quinzena de março que se verificaram alterações significativas no comportamento da rede da Vodafone Portugal, com volumes de tráfego expressivos, quer na rede fixa, quer na rede móvel”, indicou fonte oficial da operadora. “A empresa reforçou a monitorização das suas redes e adotou medidas de otimização das mesmas, garantindo a capacidade de escoamento do tráfego todo, sem nunca comprometer a qualidade do serviço”, acrescentou.

Por fim, no conjunto de dados divulgados pelas operadoras encontram-se os horários de picos no serviço, isto é, os momentos em os portugueses mais recorreram às redes de comunicações. No caso da Meo, tem sido nos dias de semana às 22h e nos fins de semana às 17h. No caso da Nos, o uso da rede fixa regista picos às 19h. Já a Vodafone regista picos nos dados de internet fixa durante a semana às 22h e aos domingos às 18h.

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