Comércio diz que há risco de um “número significativo” de empresas não conseguir pagar salários em abril

O Governo anunciou um regime especial de lay-off e linhas de crédito, mas ainda há dúvidas sobre como aceder a esses mecanismos. Salários no comércio e serviços estão em risco, diz CCP.

Face à pandemia de coronavírus, o Governo anunciou uma série de apoios para as empresas de modo garantir a manutenção dos empregos e dos rendimentos dos trabalhadores, mas essas medidas ainda estão envoltas em algumas dúvidas, denuncia a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP). A entidade liderada por João Vieira Lopes alerta, por isso, para o risco de “um número significativo” de empresas não conseguir pagar salários, já em abril.

“A CCP está muito preocupada com a situação económica das empresas. Se em março, com o adiamento dos pagamentos à Segurança Social e algum negócio no mês, muitas empresas ainda terão condições para pagar salários, em abril a situação será mais complexa“, sublinha a confederação.

Os representantes do comércio e serviços frisam que, no próximo mês, as vendas “serão nulas ou muitos reduzidas” o que ameaçará o pagamento das remunerações. Além disso, a operacionalização do novo lay-off — mecanismo cujo propósito é ajudar as empresas a pagar salários (ainda que reduzidos) nesta altura — ainda não está clara e as linhas de financiamento anunciadas pelo Governo “abrangem um número reduzido de setores”, não se sabendo “quando o comércio e muitos serviços terão linhas disponíveis”, denuncia a CCP. A confederação acrescenta: “a fase de análise pelos bancos nas linhas de financiamento existentes está a decorrer com lentidão”.

Face a estas circunstâncias, a confederação liderada por João Vieira Lopes sublinha que “dificilmente” estes apoios “estarão operacionais em tempo útil”, o que resulta num risco de que um “número significativo de empresas” não tenha “condições para realizar o pagamento de salários, total ou parcial”, já no próximo mês.

No caso do lay-off, por exemplo, o Governo explicou que o formulário de acesso ainda está a ser ultimado (apesar de já estar em vigor a portaria que regula este regime). Ou seja, os patrões ainda não estão a conseguir pedir este apoio à Segurança Social.

Há uma semana, a CCP “aconselhou” os empresários dos setores que representa a adotarem “uma política de redução rápida de custos, nomeadamente laborais”, ou seja, colocou em cima da mesa despedimentos. Isto face à não inclusão do comércio e dos serviços nas quatro novas linhas de crédito anunciadas pelo Governo em resposta à atual pandemia.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Comércio diz que há risco de um “número significativo” de empresas não conseguir pagar salários em abril

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião