Pandemia reduziu atividade da Lusíadas Saúde em 85%

O grupo já começou a retomar a atividade clínica, mas é ainda possível notar os receios das pessoas em ir aos hospitais.

Durante a pandemia, a atividade das unidades da Lusíadas Saúde chegou a reduzir-se em 85%, com a queda na procura e canalização de serviços para Covid-19. O grupo já começou a retomar a atividade clínica no início do mês, mas nota que existe ainda um receio por parte dos portugueses.

“Chegámos a 15% da atividade. No fundo só fazíamos coisas de urgência, consultas e exames muito relevantes”, adianta, ao ECO, Nuno España, diretor de inovação, sustentabilidade, comunicação, marketing e customer management da Lusíadas Saúde.

As unidades da Lusíadas Saúde começaram a retomar a atividade clínica a 2 de maio, e o responsável admite que se começou a sentir um aumento na atividade programada. No entanto, aponta que é possível perceber, na procura dos serviços, que ainda “há muita gente com medo”.

A “diminuição drástica da procura” é uma das maiores preocupações, aponta Nuno España, porque as pessoas poderão estar a adiar ou atrasar idas importantes ao médico. “Perdemos 30% das urgências coronárias, mas as pessoas continuaram a ter problemas”, aponta, exemplificando com esta área uma situação que se sente também noutras.

Desta forma, foram criados vários mecanismos para se adaptarem à pandemia e aos receios das pessoas, nomeadamente teleconsultas e uma app, que têm, assim, assumido um papel importante. “Evoluímos a nível tecnológico e social em três ou quatro meses o que demoraria anos a fazer”, aponta o responsável.

Papel dos privados é “fundamental”

O responsável aponta que, nesta altura de combate à pandemia, “tudo funciona numa lógica de complementaridade”. “Há espaço para toda a gente”, reitera Nuno España, apontando que os prestadores de saúde se disponibilizaram a ajudar quando foram chamados.

Mais de 20% dos infetados foram identificados no setor privado, salienta o responsável, apontando que, apesar de o setor público estar a fazer um trabalho “muito bom”, os privados ajudaram na resposta nacional, assumindo um papel “fundamental”.

O grupo ainda gere o Hospital de Cascais em regime de Parceria Público-Privada, para o qual Governo aprovou já o lançamento do concurso internacional para uma nova parceria na gestão desta unidade. Questionado sobre se iriam concorrer, Nuno España aponta que o grupo está “atento”.

O responsável, que já passou por quatro PPP no país, defende o recurso a este modelo, apontando que a maioria dos estudos mostram que estas unidades “vieram a ter valor acrescentado”. “Em média temos poupança entre 20 a 25% ano em relação a hospital do Estado”, aponta.

A Lusíadas Saúde faz parte do grupo UnitedHealth. Para ajudar no combate à pandemia, o grupo decidiu criar um fundo de dez milhões para apoiar iniciativas nos países onde está presente. Em Portugal vão apoiar sete instituições, que vão receber 45.500 euros cada, sendo que o montante foi proporcional à proporção que o país tem, que é a mais pequena do grupo.

Entre as instituições apoiadas incluem-se a Comunidade Vida e Paz, a Santa Casa da Misericórdia de Braga e a Associação Crescer Ser. Nuno España aponta que esta foi uma forma de fazer “parcerias com impacto”, sobretudo nos sítios onde estão presentes, como é o caso de Braga, Algarve e Lisboa. O responsável aponta que o grupo quer “acompanhar as medidas para que sejam um sucesso da melhor forma possível”. “É muito mais do que só atirar dinheiro para cima da mesa”, reitera.

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