Lucros da Jerónimo Martins caem para quase metade. Ganha 35 milhões até março

Quebra dos lucros da dona do Pingo Doce foram "fortemente impactados pelas diferenças cambiais decorrentes da aplicação da IFRS16", revela a empresa.

A Jerónimo Martins viu os seus lucros caírem no primeiro trimestre. O resultado líquido da retalhista ascendeu a 35 milhões de euros, uma quebra de 43,8% face ao período homólogo, “fortemente impactados pelas diferenças cambiais decorrentes da aplicação da IFRS16″, mas também já afetados pelos primeiros efeitos da pandemia em março.

Em enviado à Comissão do Mercado de valores Mobiliários (CMVM), esta quarta-feira, a Jerónimo Martins revela que os seus lucros se fixaram nos três primeiros meses do ano nos 35 milhões de euros, valor que compara com os 62 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado.

O resultado alcançado compara com a estimativa do CaixaBank BPI que antecipava um crescimento de 5% dos lucros da retalhista naquele período, para 76 milhões de euros.

Em termos operacionais, o EBITDA (lucro antes de impostos depreciação e amortização) atingiu 214 milhões de euros, uma redução de 0,6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, “refletindo os primeiros efeitos da pandemia ao nível dos custos operacionais”, justifica a dona do Pingo Doce.

Já ao nível das vendas a tendência foi oposta, com estas a crescerem em termos consolidados 11%, para 4.715 milhões de euros, com as vendas em LFL (vendas comparáveis) a crescerem 9,5%. A Jerónimo Martins revela que, antes do início da pandemia, o LFL crescia a 12,1% (acumulado a fevereiro).

“Fechámos o primeiro trimestre do ano com um crescimento de vendas assinalável, o que traduz a força competitiva dos vários negócios e a flexibilidade e resiliência das nossas operações, mesmo quando postas à prova por uma ameaça sem precedentes, como é o caso da pandemia por Covid-19″, diz Pedro Soares dos Santos no comunicado enviado ao regulador da bolsa.

O CEO da retalhista diz ainda que “os primeiros impactos da crise sanitária mundial começaram a fazer-se sentir – ainda que com intensidades diferentes consoante o estádio de evolução da situação epidemiológica em cada país (Polónia, Portugal e Colômbia) – a partir da primeira quinzena de março“.

"Fechámos o primeiro trimestre do ano com um crescimento de vendas assinalável, o que traduz a força competitiva dos vários negócios e a flexibilidade e resiliência das nossas operações, mesmo quando postas à prova por uma ameaça sem precedentes, como é o caso da pandemia por Covid-19.”

Pedro Soares dos Santos

De forma desagregada, a polaca Biedronka registou um crescimento de vendas de 12,6% para os 3,3 mil milhões de euros (+13,2% em moeda local), “com uma boa evolução da quota de mercado”, explica a Jerónimo Martins. Também no mercado polaco, a Hebe — especializada no Bem Estar e Saúde — aumentou as vendas em 14,6% para os 64 milhões de euros (+15,2% em moeda local), também “impactada pelo desempenho de março, já no contexto da pandemia”.

Já no mercado nacional, a retalhista salienta que “o ano arrancou com uma envolvente de consumo positiva, tendo-se começado a observar, à medida que o mês de março avançava, sinais de trading down”. Nesse contexto, as vendas totais do Pingo Doce subiram em 3,5%, para os 936 milhões de euros. Quanto ao Recheio, as vendas cifraram-se em 214 milhões de euros, um ligeiro acréscimo de 0,2% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Relativamente a essa unidade, é adiantado pela empresa que “a partir da segunda metade de março, o encerramento dos restaurantes e a paragem da atividade turística impactaram de forma material as vendas ao canal HoReCa”.

No seu terceiro mercado — a Colômbia — é salientado que “o ano iniciou-se com um enquadramento económico favorável“, tendo as medidas de confinamento no contexto da pandemia mundial começado a ganhar força ao longo do mês de abril. Daí que a Ara tenha aumentado as vendas, em moeda local, em 52,3%. Em euros, as vendas nessa unidade cresceram 38,9% para os 235 milhões de euros, “respondendo à estratégia reforçada de preço” implementada em 2019 e que “continua a ser fundamental para o seu desempenho”.

(Notícia atualizada às 18h30)

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