Sete em cada 10 startups reduziram custos devido a Covid

Mais de 36% das startups inquiridas referem temer pela continuidade do projeto, em consequência do coronavírus.

Dois meses depois do início da pandemia de coronavírus em Portugal, o ecossistema nacional de startups está mais otimista, referem as conclusões do estudo “O Ecossistema de Empreendedorismo Português e o Covid-19 – Análise do Impacto” feito pela Aliados Consulting e pela FES Agency. No entanto, mais de três em cada dez startups afirmam que estão preocupadas com um possível encerramento do seu projeto em consequência da pandemia (36,1%).

De acordo com os resultados do inquérito, 67,2% das startups inquiridas teve de reduzir custos, a maioria em serviços contratados e marketing, e mais de metade (59%) está a sofrer impactos negativos decorrentes da pandemia, sendo que 32,4% regista perdas de vendas superiores a 60%. Mais de nove em cada dez inquiridas (90,2%) não teve, por enquanto, de despedir trabalhadores em resposta às quebras de vendas. Apenas 1,6% das startups que participaram no estudo tiveram de despediu entre 21% a 40% da equipa. Em contrapartida, mais de 44% das startups quer continuar a contratar, especialmente pessoas com perfis tecnológicos (67,9%).

O cenário é, contudo, mais otimista do que há dois meses, adiantam as conclusões do estudo já que, nessa altura, 44,9% das startups referia registar perdas nas vendas superiores a 60%.

O primeiro estudo do género foi lançado em março e referia que sete em cada 10 startups já sofria com os efeitos da pandemia nessa altura. Agora, o estudo refere que há mais startups — das áreas da saúde e da educação — que referem estar a ser positivamente impactadas pelo Covid-19 (13,1%). Mais de metade dos inquiridos acredita ainda que a situação das vendas evolua de forma positiva nas próximas semanas (em comparação com os 60,3% que acreditava, em março, que a situação pioraria).

Ainda assim, referem os resultados, quase metade das startups (49,2%) tem apenas até seis meses de capital disponível pelo que o prolongar da situação decorrente da pandemia pode “ameaçar seriamente a sua sobrevivência”.

Capital disponível mas mais cauteloso

Das startups que participaram no estudo, 60,7% refere não estar a levantar capital de risco e mais de 72% está, de momento, à procura de alternativas de financiamento para financiar a empresa, seja através de projetos como Portugal 2020 ou setor bancário. Nesta matéria, o Ministério da Economia anunciou um conjunto de cinco novas medidas e o reforço de outras duas — no valor de 25 milhões de euros — para ajudar diretamente o ecossistema de startups nacional que, em 2018, representou 1,1% do PIB nacional. Entre as medidas mais “populares” entre as startups está o lay-off simplificado, do qual usufruíram 11,5% das startups que participaram neste estudo.

Em conversa com o ECO, os investidores portugueses de capital de risco referem que a existência de capital para investir se mantém mas admitem que os processos que resultam em rondas podem diversificar áreas de negócio e demorar mais do que é habitual, em resultado da crise pandémica.

Neste estudo, realizado entre 27 de abril e 6 de maio, participaram 61 CEO e fundadores de startups com escritórios em Portugal, das quais 67,2% do Porto, 16,4% de Lisboa, 14,8% de Braga e 1,6% de Coimbra e que, na sua maioria, contam com equipas de entre 1 a 10 trabalhadores.

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