Portuguesa Lovys mantém objetivos: 50 mil clientes em França em 2020

Maio trouxe de novo a esperança de aumentar 10 vezes a faturação ainda este ano. A seguradora portuguesa online acredita numa retoma quase total do anterior nível de procura.

A Lovys é provavelmente uma das empresas portuguesas que menos estranhou o teletrabalho. Nasceu em 2017 para ser uma seguradora digital only. “Todos os processos, hábitos e ferramentas que usamos desde sempre, permitem ter um elevado nível de produtividade, mesmo trabalhando à distância”, desvenda o fundador e CEO da empresa, João Cardoso. A empresa já tem escritórios em Paris, Lisboa, Porto e Leiria, a partir dos quais trabalham os 35 colaboradores em equipas de diversas competências, em rede desde o início.

João Cardoso, CEO da Lovys. “60% dos clientes da empresa têm até 35 anos. É uma prova o sucesso do conceito junto de uma geração de consumidores mais digital e menos experiente na compra deste tipo de produtos”.

A Covid-19 interrompeu uma evolução positiva: “Começámos o ano com taxas de crescimento mensais entre os 30 e os 50%, com quase 2 mil novos clientes só no mês de fevereiro”, afirma João Cardoso, acrescentando que “março e abril foram meses com uma quebra na ordem dos 40%, mas em maio notamos já alguma retoma à normalidade”. A verdade é que todos os produtos da Lovys estão associados a uma compra ou aluguer de um bem “havendo menos atividade, existe também uma menor procura por este tipo de seguros, ainda que de forma temporária”, refere o CEO, “mas o desafio para 2020 mantém-se: atingir os 50 mil clientes em França, atualmente o nosso principal mercado”.

João Cardoso acredita num “comportamento em “V” do mercado de seguros, havendo uma retoma quase total do anterior nível de procura”. Fundou a Lovys, após uma vivência em Londres na Morgan Stanley e do lançamento de duas startups no Brasil e, em 2019, a empresa protagonizou a maior ronda de investimento em fase seed no segmento de seguros não Vida em França, levantando 3,3 milhões de euros. Agora afirma que as ambições da Lovys continuam tão grandes como antes da crise e que tudo fará para superar os objetivos que estabeleceram para 2020.

Das operações de capital a Lovys passou a ter como principais acionistas a Portugal Ventures, o grupo MAIF, uma das maiores seguradoras francesas e a Plug&Play, um dos primeiros investidores em empresas como a DropBox e Paypal. Os recursos captados têm sido aplicados sobretudo na expansão e aceleração da empresa, conquistando novos clientes e construindo novos produtos.

A Lovys continua a prever uma taxa de crescimento mensal média na ordem dos 30%, durante o ano de 2020. O valor de prémios emitidos corrente da empresa é de cerca de um milhão de euros, valor esse que poderá ascender a 10 milhões até final do ano. É estimado que as vendas através de parcerias de distribuição passem a representar cerca de 30% do volume de aquisição no médio prazo, através da criação de parcerias com empresas de diversos ramos. A Lovys tem já 15 parceiros, entre os quais a plataforma francesa Wizbii, que conta com três milhões de utilizadores.

Resposta à crise foi não investir demais para compensar menos procura

Atualmente grande parte dos novos clientes optam pela subscrição do seguro casa, através da subscrição direta no site. Outro dado relevante é “60% dos clientes da Lovys terem até 35 anos“, o que, segundo João Cardoso, “prova o sucesso do conceito junto de uma geração de consumidores mais digital e menos experiente na compra deste tipo de produtos”. Todos os produtos da Lovys são para o utilizador uma experiência totalmente digital, desde a compra até à declaração do sinistro. Todos os processos e questões colocadas ao cliente foram reduzidas ao mínimo, sendo possível escolher garantias sob medida em cada um dos seguros.

Perante a emergência pandémica, João Cardoso considera que a Lovys teve a visão correta: “A decisão mais acertada que fizemos foi a de não sobre-investir para compensar o decréscimo de procura”, comenta o CEO, “confiamos nos produtos que criámos e na importância que têm no dia-a-dia das pessoas – independentemente de serem produtos obrigatórios”, acrescenta.

De facto, a Lovys começou o período de confinamento com dois produtos, seguro smartphone e seguro casa, e vai sair dele com quatro juntando seguro animais de estimação e seguro automóvel. Manteve ainda todo o desenvolvimento de implementações tecnológicas que estava a realizar para futuros parceiros de distribuição.

O CEO garante que a “qualidade do serviço pós-venda foi boa, assim como os nossos prazos de pagamento de sinistros”, diz reforçando que “as equipas foram incansáveis e demonstraram um enorme capacidade de foco, tendo sido a maior conquista o facto de nada ter mudado no nosso roadmap e objetivos”.

Relativamente aos clientes, João Cardoso notou que existiram mudanças no imediato. “Uma das mais relevantes foi o enorme volume de pedidos para certificados de seguros casa, que mencionassem a cobertura de sinistros no contexto do teletrabalho”, conta, “mas rapidamente adicionámos esta opção e conseguimos fazê-lo para mais de 80% dos nossos clientes sem qualquer custo extra”.

Produtos são concebidos em casa e os riscos propostos às seguradoras

Como produto mais recente a Lovys tem o Seguro carro, produto que ainda está em versão beta, disponível apenas para alguns utilizadores, sendo lançado no decorrer do mês de maio. Vem juntar-se a outra novidade, o Seguro cães/gatos, seguro mensal para proteção de cães e gatos contra doença e acidentes que é oferecido em 3 fórmulas simples, com diferentes níveis de cobertura podendo o utilizador adicionar opções extra, como os custos com a procura e perda do animal. Este produto está disponível em França, a partir de 8 euros por mês.

Como produtos tradicionais, se assim se podem designar, a Lovys conta com o Seguro casa, um multirisco para proprietários ou inquilinos, tendo várias garantias base como o roubo, incêndios, responsabilidade civil e catástrofes naturais e que se encontra em França, a partir de 4 euros por mês. Também já com experiência de mercado está o Seguro smartphone , um seguro mensal contra roubo e danos do smartphone. Com uma compra fácil através da instalação de uma app, o produto começa em 5 euros por mês, sendo a reparação ou substituição feita por agentes especializados em menos de 72 horas. É atualmente o único produto da Lovys disponível em Portugal e França.

Outra novidade que a Lovys trouxe foi o contrário do que é feito pela grande maioria das start-ups do setor. Em vez de comercializar produtos já criados pelas seguradoras parceiras, a empresa cria produtos de raiz de acordo com necessidades reais dos consumidores, delegando apenas a subscrição do risco às seguradoras parceiras de cada produto. Tem como parceiras habituais a Altima, do seu acionista grupo MAIF, mas também as La Parisienne, Generali, Helvetia e Swiss Re.

O CEO da Lovys acredita que, no médio e longo prazo, este período de confinamento e de crise contribuiu para um maior enraizamento da compra online. “Essa mudança será transversal a vários países e industrias, não sendo os seguros uma exceção”, diz, “Se antes o aumento da procura por seguros online já era significativamente maior do que para a totalidade do mercado, essa diferença será ainda maior daqui em diante”.

Francamente otimista, João Cardoso considera que “os consumidores foram naturalmente incitados a olhar para as marcas com mais presença e melhor experiência digital, o que é uma vantagem para marcas como a Lovys”, conclui o fundador da Lovys.

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