Portugal e 11 outros países da UE pedem medidas urgentes para setor automóvel

  • Lusa
  • 15 Maio 2020

Pedro Siza Vieira e os homólogos de 11 países destacam que o setor automóvel é uma das atividades centrais e estratégicas destas economias, pesando 7% no PIB da UE.

Portugal e outros 11 países da União Europeia (UE) pediram esta sexta-feira à Comissão para, no seu plano de recuperação económica pós-pandemia, incluir “medidas urgentes” para o setor automóvel, dada a paragem da produção, que criou um “cenário dramático”.

“Nós, ministros da Bulgária, República Checa, Hungria, Itália, Letónia, Malta, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Espanha, expressamos o nosso interesse comum para a introdução de um Plano de Recuperação Dedicado para o Setor Automóvel na UE”, defendem estes governantes, incluindo o português Pedro Siza Vieira, numa declaração hoje divulgada e à qual a agência Lusa teve acesso.

Na missiva assinada pelo ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, e pelos seus homólogos de 11 países, destaca-se que o setor automóvel é “uma das atividades centrais e estratégicas” destas economias, pesando 7% no produto interno bruto (PIB) da UE, 6% no emprego na União e 12% no total de exportações europeias.

Porém, devido à covid-19, “a produção praticamente parou durante pelo menos dois meses, tendo toda a cadeia de valor sido afetada”, destacam. Ao mesmo tempo, “a procura por parte dos consumidores caiu drasticamente”, afirmam os ministros, assinalando as “perdas significativas de todos os grupos de fabricantes de automóveis e às indústrias a eles associadas”.

“Este cenário é ainda mais dramático se tivermos em conta que a crise chegou numa altura em que o setor estava a fazer investimentos económicos significativos, conduzindo principalmente à transição para um novo modelo de mobilidade mais sustentável, em conformidade com a estratégia da UE para se tornar neutro do ponto de vista climático até 2050”, adiantam os responsáveis pela tutela da Economia, que hoje estiveram reunidos num Conselho de Indústria, realizado à distância.

Por essa razão, Pedro Siza Vieira e os outros 11 ministros exortam a que o chamado Plano de Recuperação da UE que a Comissão está a traçar e vai apresentar no próximo dia 27 de maio “inclua, urgentemente, um Plano Dedicado ao Setor Automóvel”, que crie um “forte apoio” para estes negócios, dado o “papel relevante que podem desempenhar como importantes motores da recuperação económica”.

E, para isso, o plano deverá ter “uma dotação financeira significativa, a fim de garantir, não só a recuperação para os níveis anteriores à crise, mas também um crescimento sustentável”, sublinham os governantes na carta a que a Lusa teve acesso.

Dados revelados na quinta-feira pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) indicam que, no país, a produção automóvel cedeu 95,7% em abril, em comparação com igual mês de 2019, para 1.238 veículos automóveis ligeiros e pesados, refletindo o impacto da covid-19.

Entre janeiro e abril, por seu turno, registou-se um decréscimo de 36,3% na produção, em comparação com o período homólogo, o equivalente a 78.442 unidades fabricadas.

Segundo a ACAP, a Europa continuou a ser o mercado líder no que se refere às exportações dos veículos fabricados em Portugal, representando 97,5% do total, com destaque para países como Alemanha (19,6%), França (16,7%), Itália (15,7%), Espanha (11,2%) e Reino Unido (9,9%).

A Comissão Europeia anunciou esta sexta-feira que vai adotar e apresentar em 27 de maio as suas propostas do orçamento plurianual da UE para 2021-2027 e do fundo de recuperação da economia europeia no quadro da crise da covid-19.

O fundo de recuperação, por muitos classificado como um novo Plano Marshall para a Europa, é considerado o grande instrumento da UE para ultrapassar a crise da covid-19, que, segundo estimativas da Comissão Europeia, provocará uma contração recorde de 7,7% do PIB da zona euro este ano e de 7,4% no conjunto da União.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Portugal e 11 outros países da UE pedem medidas urgentes para setor automóvel

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião