Coronavírus: Os números que retratam o choque económico e social a nível global

  • Lusa
  • 15 Maio 2020

O boom das redes sociais e nas vendas online, aviões em terra, profunda recessão e o aumento exponencial do desemprego são algumas das figuras-chave da crise global provocada pelo coronavírus.

O boom das redes sociais e nas vendas online, aviões em terra, profunda recessão e o aumento exponencial do desemprego são algumas das figuras-chave da crise global provocada pela pandemia de coronavírus. Conheça os oito números que mostram o choque económico e social a nível global.

  • Três mil milhões

O número de pessoas que utilizaram pelo menos uma vez por mês, durante o primeiro trimestre do ano, as redes sociais do Facebook (WhatsApp, Messenger, Instagram, entre outras), cujo uso aumentou devido ao confinamento e às restrições de viagens impostas pelo mundo.

A Amazon contratou mais 175.000 pessoas para os seus armazéns nos Estados Unidos face ao aumento da procura. O dono da empresa, Jeff Bezos, que é agora o homem mais rico do mundo, acumulou 25 mil milhões de dólares (cerca de 23 mil milhões de euros) desde o início da pandemia, segundo a revista Forbes.

  • 2023

O transporte aéreo não deve recuperar o nível habitual de tráfego até esta data, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que registou 4,5 milhões de voos cancelados.

Os anúncios dos planos sociais sucedem-se com o corte de 12.000 postos de trabalho na British Airways, 5.000 na Scandinavian Airlines (SAS), 2.000 na Icelandair, 3.000 na Ryanair, 3.450 na United Airlines e 3.000 na Virgin Atlantic.

Os Governos mobilizam-se para garantir a sobrevivência das empresas. A Air France deve receber sete mil milhões de euros, enquanto o grupo Lufthansa está a negociar com o Governo alemão auxílio estatal da ordem dos milhares de milhões de euros.

  • 4,8%

O valor previsto para a contração da economia mundial para 2020, segundo previsão divulgada quinta-feira pela Oxford Economics que, no entanto, anunciou uma “sólida recuperação no crescimento” para a segunda metade do ano. Em meados de abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) esperava uma recessão global limitada a 3%.

No Reino Unido, o Banco de Inglaterra estima uma queda de 14% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, enquanto a Comissão Europeia prevê menos 7,7% para a zona do euro.

  • 36,5 milhões

O número de pessoas que passaram a estar desempregadas nos Estados Unidos desde meados de março, uma taxa de 14,7% que atingiu o nível mais alto em 80 anos.

Uma pesquisa realizada no início de maio pelo Marketplace, um programa de economia da rádio pública americana (NPR, na sigla em inglês)), revelou que 41% dos entrevistados não conseguiriam fazer face a uma despesa extraordinária de 250 dólares (231 euros).

Até agora, em vários países europeus, o aumento do número de desempregados foi por enquanto evitado por o Estado assumir os salários (desemprego parcial), que em França afeta mais de 60% dos assalariados (12,4 milhões de trabalhadores).

  • 2,7 biliões

Valor cumulativo em dólares (cerca de 2,5 biliões de euros) de um plano de recuperação e ajuda às pequenas e médias empresas (PME) e aos hospitais adotado no final de abril pelos Estados Unidos.

A União Europeia deve apresentar até ao final deste mês o plano para mobilizar um bilião de euros. O plano poderá ser o principal elemento de um conjunto de medidas que apelam também ao investimento privado, num total de dois biliões.

Sem esperar pelo plano europeu, a Alemanha adotou no final de março um plano de quase 1,1 biliões de euros, enquanto a França estabeleceu empréstimos garantidos pelo Estado de 300 mil milhões de euros e um plano de ação de 110 mil milhões de euros.

A Índia anunciou um plano de 250 mil milhões de euros, correspondente a 10% do seu Produto Interno Bruto, enquanto a China desbloqueou 130 mil milhões de euros a favor das PME, que criam a maioria dos empregos.

  • 203 mil milhões

Seria o custo, em dólares (cerca de 190 mil milhões de euros), da pandemia para as seguradoras, em 2020, de acordo com a seguradora Lloyd’s of London. Tal valor tornaria a covid-19 num dos eventos mais caros da história no setor, juntamente com o furacão Katrina e os atentados de 11 de setembro de 2001.

As seguradoras perdem de duas maneiras: têm de indemnizar particulares e empresas por viagens ou grandes eventos profissionais cancelados e, ao mesmo tempo, veem as carteiras de investimentos a afundarem com a queda dos mercados.

  • 50

Número de países que receberam ajuda de emergência do Fundo Monetário Internacional (FMI), entre o início de abril e 06 de maio, para lidar com a pandemia. No total, tal representa 18 mil milhões de dólares em apoio, dedicados exclusivamente à ajuda social e económica.

O FMI duplicou em 100 mil milhões de dólares a sua capacidade em ajuda de emergência. Entre os países em dificuldade estão a Nigéria (3,4 mil milhões), Egito (2,8 mil milhões), Paquistão (1,4 mil milhões) ou o Gana (mil milhões).

Outros países, como o Chile ou a África do Sul, solicitaram à instituição empréstimos de grande valor. O FMI e o Banco Mundial estimaram, em meados de abril, que faltavam 44 mil milhões de euros para combater o novo coronavírus no continente africano.

  • 450 mil toneladas

Excedente de batatas em França, o principal exportador mundial de tubérculos e fornecedor de gigantes da batata frita industrial, como o grupo McCain, do Canadá. A pandemia fez explodir certas produções, como a do papel higiénico, que aumentou 31% em março, em comparação com fevereiro, na Alemanha, ou da celulose que no mesmo mês atingiu um “alto histórico” no país, com uma subida de 72%, segundo o gabinete estatal de estatísticas nacionais.

Também em tendência de subida estão certos preços na principal economia europeia: mais 4,8% num ano, em abril, na alimentação e até mais 30% em pimentos, devido à oferta mais escassa nos países particularmente afetados pela pandemia no sul da Europa.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia já provocou mais de 302 mil mortos e infetou mais de 4,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,5 milhões de doentes foram considerados curados.

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