Num só dia, duplicam candidaturas ao Adaptar. 7.500 microempresas pedem apoio para reabrir portas

Primeiros apoios serão decididos esta semana, promete o Ministério do Planeamento, "antecipando o prazo previsto de dez dias úteis para analisar candidaturas, para apenas 5 dias. Restaurantes no topo.

Num só dia, duplicaram as candidaturas de microempresas ao programa Adaptar. Em apenas cinco dias foram apresentadas 7.544 candidaturas, de acordo com os dados avançados pelo Ministério do Planeamento. Tendo em conta que o balanço do dia anterior era de 3.441 candidaturas, tal como avançou a ministra da Coesão ao ECO, isso significa que a duplicação dos interessados neste programa que visa apoiar as empresas a ajustarem-se às regras do desconfinamento.

“Os projetos apresentados estão já em análise e os primeiros apoios serão decididos ainda esta semana, antecipando o prazo previsto de dez dias úteis, para apenas cinco dias úteis“, revela o mesmo comunicado do ministério liderado por Nelson Souza.

As 7.544 candidaturas apresentadas têm implícito um investimento superior a 29 milhões de euros, que caso fossem todas aprovadas implicariam um apoio a fundo perdido de 23 milhões de euros. Isto porque as regras definidas no concurso apontam para um apoio a fundo perdido de 80%, sendo elegíveis as despesas feitas desde a declaração do primeiro estado de emergência, a 18 de março, e com um mínimo de 500 euros. O montante máximo do apoio, por empresa, poderá ir até aos 5.000 euros.

A restauração é a atividade que mais candidaturas apresentou, seguida do comércio a retalho e dos médicos-dentistas, revela ainda o Ministério do Planeamento.

Se todas as candidaturas apresentadas forem aceites isso significa que quase metade da dotação global do concurso, que ascende a 50 milhões de euros, estará alocada.

Ao nível das PME, que têm também uma 50 milhões de euros reservados em apoios para adaptar a sua atividade ao Covid-19, seja para comprar equipamentos de proteção individual, incluindo máscaras e roupa de proteção, ou de desinfeção pessoal e das instalações e ainda de adaptação de infraestruturas e com a compra de equipamentos de apoio ao teletrabalho, em cinco dias foram recebidas 312 candidaturas que representam um investimento global de 8,7 milhões de euros. Neste caso, num só dia o número de candidatos ao apoio triplicou, pois o valor anterior era de 107 candidaturas que solicitam um apoio de 1,5 milhões de euros para um investimento de três milhões, como avançou ao ECO a ministra Ana Abrunhosa. Neste caso, o apoio não reembolsável desce para 50%.

Tanto o Ministério do Planeamento como o da Coesão congratulam-se com o nível de adesão dos empresários já que demonstra que os apoios vão ao encontro das necessidades. Em comunicado Nelson Souza sublinha ainda que “o sistema administrativo montado com recurso às plataformas do Portugal 2020 revelou total capacidade de resposta, sem falhas, perante um volume de candidaturas inédito”, numa alusão à avalanche de pedidos de empréstimos com garantias de estado no âmbito das linhas de crédito Covid-19 que cracharam o sistema da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua.

Além da promessa de analisar as candidaturas em cinco dias, o Ministério do Planeamento garante que “serão cumpridos os prazos de pagamento dos respetivos apoios”. No caso das microempresas, metade do apoio a fundo perdido é pago após a aprovação da candidatura.

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