Covid-19: Bares e cervejarias levam “não” dos seguradores britânicos

  • ECO Seguros
  • 21 Maio 2020

A indústria de pubs do Reino Unido manifestou deceção com as seguradoras e a patronal do setor respondeu: as apólices não cobrem a pandemia e o valor dos prémios pagos não chega para indemnizar danos.

O One Voice Group, um coletivo que assume representar cerca de 50.000 bares e 2.000 cervejarias, afirma que a resposta do setor dos seguros à pandemia é “deplorável” e “o fracasso coletivo das seguradoras em cumprirem as suas obrigações tem sido profundamente desanimador”, lamenta.

Face ao encerramento de estabelecimentos em consequência da pandemia (covid-19) e descontente com a resposta dos seguros, o setor britânico de uniu-se. Em carta aberta e a uma voz, manifestou desagrado perante as seguradoras.

Stephen Gould, presidente do One Voice Group, assina o manifesto onde se referem dados de um inquérito setorial indicando que apenas 1% das empresas de hotelaria e 4% das empresas associadas do BBPA (British Beer & Pub Association) receberam uma resposta positiva da sua seguradora. Nestas condições, Gould apelava ao diálogo com o setor dos seguros com o objetivo de avançar para soluções construtivas e favoráveis ao setor de consumo.

Em reação, a patronal de seguros (ABI) considera que uma indemnização nos termos reclamados é universalmente incomportável para os seguros e reafirma o que já havia dito a outros setores: a maioria das apólices contratadas pelas empresas do setor restauração e bebidas não cobre o tomador de seguro dos danos da pandemia.


Advertindo que o volume de prémios cobrados pela indústria de seguros não permite cobrir todos os sinistros causados pela covid-19, Huw Evans, diretor-geral da Associação de Seguradores Britânicos (ABI na sigla original), realça: “A dimensão do problema levaria o custo das indemnizações chegar facilmente a milhares de milhões de libras, em relação ao qual o setor dos seguros não cobrou prémios nem constituiu reservas”.

“Gestos de boa vontade com tal amplitude só poderiam ser conduzidos com r
isco de solvência dos seguradores e resultar em consequências para os responsáveis do setor que não cumpram responsabilidades legais e regulamentares de não fazerem nada que ponha em risco a segurança financeira da empresa”, sustenta.

Reforçando a ideia de que as apólices existentes excluem a atual pandemia, Evans escreve: “Essas apólices [dos pubs] não se destinam a cobrir uma pandemia viral global de um tipo que não vemos há mais de 100 anos neste país, nem os membros [do One Voice Group] pagaram para ter essa cobertura”.

Prosseguindo no esclarecimento, o responsável da ABI acrescenta: “As empresas estão normalmente protegidas contra riscos do dia-a-dia, tais como danos nas instalações devido a incêndios ou inundações, acidentes de viação, falhas de fornecedores e danos aos empregados”.

No ano passado, exemplifica Evans, “só no Reino Unido, estes tipos de reclamações diárias das empresas ascenderam a 7,8 mil milhões de libras. A cobertura das interrupções de atividade é normalmente construída em torno de algo específico que acontece com as instalações físicas, e não algo que afeta todo o país”.

De acordo com a imprensa local, a onda de reclamações no contexto da Covid-19 no Reino Unido está a levar vários grupos de seguros (Allianz, Axa, Hiscox, QBE, Zurich e outros) para processos de litígio por se recusa em pagar indemnizações pela interrupção de atividade (Business Interruption) que consideram não ser válidas.

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