Boris Johnson criticado por ‘facilitar’ vida às seguradoras

  • ECO Seguros
  • 17 Março 2020

A cobertura padrão contratada por empresas britânicas para risco de interrupção de negócios não inclui fecho por decreto do governo. Poucas têm seguro com esta extensão adicional e PM é criticado.

A grande maioria das empresas na Grã-Bretanha não dispõe de uma cobertura de seguros para encerramentos por causa de epidemias como a Covid-19. “Independentemente de o governo ordenar ou não o fecho de determinados negócios, a grande maioria das empresas contrata apólices de seguro que não lhes permite reclamar junto da seguradora uma compensação pelo fecho do negócio devido ao coronavírus, explica uma nota da Associação de Seguradoras Britânicas (ABI na sigla original), citada na imprensa local.

De acordo com o jornal The Guardian, que também aborda o assunto, um universo de apenas 2% das empresas terão contratado cláusulas adicionais que cobrem risco de interrupção de negócio por doenças infecciosas.

O primeiro-ministro (PM) britânico recomendou na segunda-feira que as pessoas evitem restaurantes, bares e clubes, e que trabalhem a partir de casa sempre que possível. Neste contexto, o governo de Boris Johnson deixou de pedir às empresas para fecharem as portas.

Agora, por causa da aparente mudança de discurso do primeiro-ministro do Reino Unido, chovem críticas nos media e nas redes sociais, acusando Johnson de estar a fazer a sua parte (a favor do setor segurador) depois de ter recebido 25,5 mil libras esterlinas da associação de corretores de seguros (BIBA) para falar na conferência anual da organização, em maio de 2019.

“Uma pequena minoria de empresas, tipicamente maiores, pode ter adquirido uma extensão da sua cobertura para encerramento forçado devido a qualquer doença infecciosa”, considera ainda a ABI. “Neste caso, um encerramento de atividade decretado pelas autoridades (figura que encaixa no conceito segurador de interrupção de negócio por força maior) poderia ajudá-las a participar um sinistro, mas isso dependerá ainda da natureza precisa da cobertura que compraram, portanto devem verificar com sua seguradora ou corretor para ver se estão cobertas”.

Um dos setores mais atingidos pela progressão do surto pandémico em Londres, por exemplo, é o da restauração e alojamentos.

Mark Jones, CEO da Carluccio´s – uma rede de restaurantes de cozinha italiana com mais de 70 estabelecimentos no Reino Unido e na Irlanda -, disse à Radio 4 (da cadeia BBC), que o grupo de restauração está a poucos dias de encerramentos em grande escala.

Por seu lado, a Compass – que opera um catering de referência responsável pelo fornecimento de refeições a muitas escolas, escritórios e clubes de futebol britânicos – já anunciou a suspensão de atividades em vários países europeus e no mercado norte-americano, assumindo ter sido severamente atingida pela crise do novo coronavírus.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Boris Johnson criticado por ‘facilitar’ vida às seguradoras

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião