Companhias aéreas regressam aos céus com 140 mil despedimentos

Com a economia a reabrir aos poucos, é hora de as companhias aéreas regressarem aos céus. Mas com menos frotas e menos trabalhadores. Despedimentos já chegam aos 140 mil na Europa.

Depois de meses de paralisação, as companhias aéreas já começaram a voar novamente. Porém, com adaptações: reduziram as frotas e também o número de trabalhadores. Já foram anunciados quase 140.000 despedimentos até ao momento, um número pode e deverá aumentar, escreve o El Economista (conteúdo em espanhol).

O tráfego aéreo deverá demorar pelo menos três anos a voltar ao que era antes do Covid-19. Como tal, as empresas de aviação estão a adaptar-se a um mercado que não será o mesmo nos próximos anos.

“O tráfego de passageiros vai diminuir entre 50% a 55% em 2020. Antecipamos que o número de passageiros fique abaixo dos níveis pré-pandémicos até 2023“, estima Julyana Yokota, analista da S&P Global Ratings, citada pelo jornal espanhol. A Boeing, diz, poderá mesmo atrasar esta recuperação até 2025.

Preparando-se para este futuro, as companhias aéreas reduziram as frotas e despediram milhares de trabalhadores. Nos últimos dias, entre Ryanair, easyJet, Aer Lingus, Norwegian, Finnair e Qatar Airways, bem como muitas outras, já se contam 138.000 pessoas despedidas, segundo cálculos do El Economista.

É um número que deverá subir para 149.270 quando se incluírem os 12.000 postos de trabalho que a Boeing anunciou que vai cortar, mas que poderá mesmo exceder os 244.000 se forem tidos em conta os trabalhadores despedidos pelas companhias norte-americanas.

Da Europa aos Estados Unidos e ao Médio Oriente

A easyJet anunciou na semana passada um corte de 30% dos trabalhadores até ao final de 2021, o equivalente a 4.500 pessoas. Também a Virgin Atlantic vai demitir 3.150 pessoas no início deste mês, enquanto a British Airwais planeia dispensar 12.000 trabalhadores.

Da parte da Aer Lingus serão menos 900 pessoas e da Ryanair serão eliminados 3.000 postos de trabalho. Destaque ainda para a Lufthansa, que avançou com 10.000 despedimentos, enquanto a Jet2.com admite um corte de 30%.

A norte da Europa, a Norwegian despediu mais de 4.700 trabalhadores, enquanto a sueca SAS anunciou que vai cortar 5.000 postos de trabalho. Já a Finnair vai dispensar 1.200 pessoas e a Icelandair vai demitir cerca de 2.000 pessoas.

Do outro lado do Atlântico, a brasileira Latam reviu as metas que tinha definido e, em vez de 1.400 pessoas, vai despedir 1.840. O mesmo acontece com a American Airlines, Delta, United e Southwest, que planeiam cortar milhares de postos de trabalho ou reduzir horas, mesmo após as ajudas de 66 mil milhões de dólares recebidas. Também a Aeroméxico e a Air Canada têm planos no mesmo sentido.

No Médio Oriente, a Emirates está planeia cortar cerca de 30.000 postos de trabalho, o equivalente a 28% do total da força de trabalho, e já começou a enviar cartas a cessar contratos de trabalho. Por sua vez, a Qatar Airways anunciou que vai eliminar 9.000 empregos para adaptar o seu tamanho à nova procura, que é menor, enquanto a Kuwait Air demitirá 1.500 expatriados, ou seja, estrangeiros.

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