Aicep usa inteligência artificial para ajudar empresas a exportar em mercados digitais

Aicep oferece um diagnóstico que permite às empresas perceberem se estão ou não preparadas para a nova vertente digital.

Pandemia é sinónimo de confinamento e fronteiras fechadas. Para as empresas, o comércio online é a solução. E é para ajudar a fazer esta transição para o digital e aproveitar esta oportunidade que a Aicep lança esta terça-feira uma nova funcionalidade no seu site. Com a ajuda da inteligência artificial, a agência vai propor marketplaces onde as empresas nacionais podem exportar os seus produtos, mas, acima de tudo oferecer um conjunto de serviços, nomeadamente um plano de negócios para “atacar” estes novos mercados.

“Entrar num marketplace é muito semelhante a entrar num mercado externo novo”, sublinha o presidente da Aicep, num encontro apropriadamente digital com jornalistas na segunda-feira, em antecipação ao lançamento oficial. “Exige o mesmo nível de capacidades, de recursos, de dedicação, mas também de preparação”, alerta Luís Castro Henriques. À questão: “Posso mudar já para o negócio online?”, a resposta é: “Pode”. Mas é necessário fazê-lo “de forma estruturada e preparada. É preciso preparar a logística e os produtos para terem todas as especificações e o branding no mercado que é servido por aquele marketplace, é preciso preparar a campanha digital para anunciar os produtos e o funcionamento legal dos departamento para garantir que a empresa consegue servir todos os mercados abrangidos pelo marketplace“, especifica o presidente da Aicep.

A pandemia só veio reforçar aquilo que a Aicep já estava a fazer na frente do comércio eletrónico. “A estratégica já fazia parte do plano de negócios, mas a pandemia veio acelerar esse processo e demonstrar que o caminho era o certo”, precisa Luís Castro Henriques. “No calendário online o que fizemos foi acelerar muito estas ferramentas“, acrescenta sem querer relacionar o timing da apresentação com os planos de recuperação da economia que o Executivo está a preparar. “O calendário de lançamento é sobretudo determinado pela necessidade que sentimos do lado das empresas em disponibilizar este serviço. Muitas empresas estão, neste momento, em período de reflexão. Então, aproveitem isto para se preparar bem”, diz o responsável.

E a preparação é a palavra-chave. No site — www.portugalexporta.pt — a Aicep oferece um diagnóstico que permite às empresas perceberem se estão ou não preparadas para a nova vertente digital. “O diagnóstico é depois enviado por email”, explica João Dias, um dos vogais do conselho de administração da Aicep. E a partir deste ponto é preciso fazer login para ter acesso às recomendações relativamente às plataformas nas quais as empresas devem apostar, ou seja, é preciso ser cliente da Aicep. Das 21 a 23 mil empresas nacionais que exportam de forma regular quase 16 mil são clientes da agência. A meta, conta Castro Henriques, é que as mais de mil empresas que interagiram com a Aicep ao longo da preparação destas novas funcionalidades passem a exportar regularmente de forma digital.

O objetivo é conseguir recuperar as vendas ao exterior que contraíram 4,9% no primeiro trimestre, em termos homólogos, naquela que é a maior queda desde o terceiro trimestre de 2009 (-6,9%), segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O site tem um vasto conjunto de informação sobre o comércio eletrónico: o que é — seja ao nível do B2C seja B2B — o que caracteriza os mercados digitais, como exportar através dos mesmos e claro informações detalhadas sobre cada mercado. Tudo informações de livre acesso que permite às empresas perceber a importância de dar este salto, porque “as tendências apontam para que em 2040 cerca de 95% das compras sejam feitas através do comércio eletrónico” e a pandemia de Covid-19 parece só ter acelerado esta tendência. Até o autodiagnóstico é livre. Mas depois é preciso fazer login para poder usufruir das ‘maravilhas’ da inteligência artificial.

Com base nas respostas, as empresas têm um plano de ação, um roadmap, com todos os passos detalhados sobre qual o caminho a seguir para conquistar os marketplaces mais indicados tendo em conta o seu setor de atividade, produto, dimensão e maturidade para estas coisas digitais. Na área dedicada, acessível apenas via login, as empresas têm ainda acesso a uma página costumizada para as ajudar a internacionalizar, de acordo com o seu perfil. E se as sugestões já eram feitas para as exportações tradicionais, físicas, agora as empresas passam a ter acesso também aos mercados digitais: recomendações, missões empresariais, notícias, mercados, marcas já presentes nesse marketplace, as questões críticas de acesso, questões financeiras, etc.

Criar uma loja online é uma das hipóteses que as empresas têm para exportar pela via eletrónica. Mas também podem optar por vender através de marketplaces, redes sociais ou uma combinação destas opções.

Para que as sugestões sejam válidas foi necessário reunir a informação e características de três mil marketplaces para poder recomendar às empresas nacionais: cerca de 250. “Há um icebergue de informação subjacente ao site”, sublinha João Dias

E a máquina teve de ser ensinada para poder dar as resposta corretas. Assim, foi necessário mudar de estratégia. Inicialmente, a ideia era ir disponibilizando setor a setor, as novas funcionalidades do site que foi desenvolvido em parceria com a Tekever, a Cocoon e a Grand Union. “Mas, para a experiência mostrou que ao usar a Inteligência artificial as utilizações iniciais são fundamentais para analisar o QI da ferramenta. E quanto mais operações melhor. Por isso, ao longo de um ano, apenas foram desenvolvidos testes, para agora abrir os serviços a todas as empresas”, explicou Castro Henriques.

Serviços que incluem também consultoria, formação de vários níveis, alguma desenvolvida em parceria com a Universidade do Minho, webinars, etc.

As empresas devem ainda ter em mente que o comercio eletrónico não serve apenas para vender aos clientes finais (B2C), mas também a outras empresas (B2B). “Com as feiras e outros eventos cancelados, as feiras digitais são absolutamente críticas”, sublinha João Dias. Há setores mais avançados nestas andanças do digital, mas há oportunidades para todos. “O maior consumo mundial de e-commerce é na fileira do agroalimentar, onde se incluem os vinhos”, sublinha o responsável, lembrando que a exceção são os produtos frescos porque são perecíveis. A fileira casa, da moda e dos bens de equipamentos também ocupam um lugar de destaque. Mas em tempos de pandemia o setor da “saúde e dos equipamentos médicos também cresceu muito”, acrescenta.

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