Costa Silva: “Se Estado não intervém na economia, economia entra em estado de coma”

O homem escolhido pelo Governo para desenhar o plano de recuperação da economia do país reitera que Portugal precisa de "mais Estado" na economia. Sem ele, "economia entra em estado de coma", alerta.

António Costa Silva, presidente executivo da Partex e o homem que o Governo designou para construir um plano de recuperação da economia no pós-crise.JOSÉ SENA GOULÃO / LUSA

Portugal precisa mesmo de “mais Estado na economia”, sob pena de a economia “entrar em estado de coma”. O alerta foi reforçado esta terça-feira por António Costa Silva, presidente executivo da petrolífera Partex e o homem designado pelo Governo para desenhar um plano de recuperação da economia no pós-crise e que deverá ser conhecido em breve.

“Se Estado não intervém na economia, a economia entra em estado de coma”, apontou o gestor português, em entrevista à TSF. De seguida, explicou: “Quando defendo isso, não é para termos uma visão estatista da economia. Sabemos que isso não funciona. Mas o Estado é a última proteção contra ameaças exteriores”, disse, reconhecendo, ainda assim, que “os mercados são máquinas fantásticas de inovação e competição”.

Estas declarações surgem numa altura em que a escolha do gestor está sob escrutínio, depois de alguns partidos terem recusado negociar com um interlocutor de fora do Executivo. Na segunda-feira, Rui Rio, presidente do PSD, rejeitou também a figura de Costa Silva como interlocutor em reuniões e, numa posição exatamente oposta à do gestor, considerou que Portugal precisa “é de menos Estado” na economia.

Na mesma entrevista, Costa Silva elencou alguns dos pilares do plano que está a desenhar, e que passará também pela conjugação das dimensões continental e marítima do país (“sempre que o país virou costas para o mar, definhou”, disse o gestor). Mas, sobretudo, o gestor pretende que a chama do dinamismo português, acesa pela pandemia, não se apague no pós-crise e que os portugueses mantenham a veia inovadora: “Quanto regressamos à normalidade, somos muito medíocres. Pela acomodação e conformismo”, criticou.

Costa Silva abordou também o facto de vir do setor do petróleo: “Ser uma pessoa dos petróleos não deve servir como estigma. Sempre pensei muito para além do barril de petróleo”, indicou. Por fim, depois de notícias que indicavam que Costa Silva teria desenhado as linhas basilares do plano em dois dias, o gestor recusou, apontando que tudo isto é algo em que pensa há muito tempo.

Na entrevista, abordou temas como a transição energética e integração dos diferentes clusters de renováveis, do investimento em saúde e investigação, da ligação dos portos às plataformas logísticas, da compatibilização da bitola ferroviária com a Europa, entre outros assuntos que, garante, estarão refletidos no plano que está a desenvolver.

(Notícia atualizada às 10h27 com mais informações)

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