Um terço das empresas de restauração não reabriu

  • Lusa
  • 4 Junho 2020

62 em cada 100 empresas do setor afirmam não conseguir pagar os salários deste mês sem o recurso ao lay-off.

Cerca de um terço das empresas de restauração não retomou a atividade suspensa devido ao Covid-19 e quase metade tem registado uma faturação média inferior a 10%, revelou a associação representativa do setor.

A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) cita os resultados de um inquérito feito, entre 31 de maio e 03 de junho, com respostas válidas de 1.510 empresas, de restauração, bebidas e alojamento turístico, para reafirmar a necessidade de se adotarem medidas de apoio.

Segundo o levantamento feito, na data em que podiam reabrir, em 18 de maio, 36% das empresas de restauração não o fizeram, a mesma percentagem de estabelecimentos que pondera avançar para a insolvência.

Das empresas que voltaram a abrir portas, 45% respondeu no inquérito não conseguir ter uma faturação média acima dos 10%.

De acordo com as conclusões do inquérito, 62 em cada 100 empresas do setor afirmam não conseguir pagar os salários deste mês sem o recurso ao lay-off e 21% ainda não tinha recebido o apoio da Segurança Social referente ao primeiro pedido.

Dos inquiridos, 16% não conseguiu pagar salários em maio e 18% não vai conseguir manter os postos de trabalho até ao final do ano.

Um terço das empresas de restauração e bebidas que recorreram a apoios financeiros e têm o processo aprovado disseram não ter ainda o dinheiro disponível e 28% das empresas não conseguiu concorrer ao programa Adaptar or as candidaturas já estarem encerradas.

Este programa visa apoiar empresas nos custos com novas regras de higiene e segurança.

Os resultados do levantamento feito pela AHRESP indicam que sete em cada 10 alojamentos turísticos encerraram devido ao novo coronavírus e quase metade não consegue perspetivar qualquer volume de faturação nos meses de junho a setembro.

Segundo as respostas obtidas, 18% das empresas pondera avançar para insolvência.

Metade dos responsáveis dos empreendimentos de alojamento que vão prorrogar o lay-off até junho afirma não conseguir pagar salários neste mês se não tiverem esse apoio.

Nesta área de atividade, 32% das empresas referem não ter conseguido pagar salários em maio e 14% do alojamento turístico não vai conseguir manter os postos de trabalho até ao final do ano, de acordo com o questionário feito.

“É urgente que sejam atendidas as medidas que foram apresentadas ao Governo no passado dia 18 de maio”, alerta a AHRESP, em comunicado.

A associação pede que o Programa de Capitalização para Empresas do Canal HORECA seja tido em conta para “obter a viabilidade das empresas e salvaguardar a manutenção dos postos de trabalho”.

A AHRESP pede ao Governo um novo regime de lay-off simplificado, para a manutenção do emprego, a aplicação da taxa reduzida de IVA para os serviços de alimentação e bebidas (6% no Continente, 5% na Madeira, 4% nos Açores), a isenção da Taxa Social Única devida pelo empregador e a redução das rendas não habitacionais.

Em Portugal, morreram 1.447 pessoas das 33.261 confirmadas como infetadas com o novo coronavírus, e há 20.079 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Para o país, o Fundo Monetário Internacional prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.

Já Bruxelas estima para Portugal uma contração da economia de 6,8%, menos grave do que a média europeia, mas projeta uma retoma em 2021 de 5,8% do PIB, abaixo da média da UE (6,1%) e da zona euro (6,3%).

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Um terço das empresas de restauração não reabriu

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião