Lucro do Banco Montepio cai 17% para 5,4 milhões. Provisões para Covid-19 atingem 15,5 milhões

Banco da mutualista Montepio Geral viu o lucro cair 17% para 5,4 milhões de euros no primeiro trimestre. Covid-19 força instituição financeira a registar imparidades adicionais de 15,5 milhões.

O Banco Montepio registou lucros de 5,4 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, uma redução de 17% face ao mesmo período do ano passado. A instituição constituiu imparidades e provisões de 35 milhões de euros, incluindo 15,5 milhões de euros de imparidades adicionais por causa do impacto adverso da pandemia de Covid-19.

Em comunicado enviado ao mercado, o banco detido pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) explica que o resultado trimestral traduz o aumento do produto bancário, nomeadamente nas receitas com comissionamento, tendo contribuído “para compensar a evolução dos custos operacionais e das imparidades e provisões”. As comissões líquidas subiram 6,4% para 30,1 milhões de euros.

Mas há que contar ainda com a subida significativa dos resultados de operações financeiras, como a venda de dívida pública, que geraram proveitos de 15,9 milhões de euros, que também ajudou o produto bancário subir 11,6% para 107,8 milhões de euros. E de certa forma contrariou a descida de 2,7% da margem financeira (a diferença entre os juros que recebe e os juros que paga) para 59,5 milhões de euros, com o banco a explicar esta quebra com os encargos com a dívida subordinada adquirida pelo acionista AMMG.

O banco liderado por Pedro Leitão destaca ainda a subida do crédito a clientes líquido em 132 milhões de euros durante o primeiro trimestre, totalizando 11,6 mil milhões de euros no final de março de 2019, “invertendo a tendência de descida observada em trimestres anteriores”. Em termos brutos, a carteira de crédito volta a encolher 3,7%.

No que diz respeito à qualidade da carteira, avaliada pela proporção das exposições não produtivas (NPE na sigla inglesa) sobre o total do crédito bruto, o rácio NPE (ativos não produtivos) situou-se em 12,1% no final do primeiro trimestre de 2020, comparando com 12,2% em 31 de dezembro de 2019. A cobertura da carteira NPE por imparidades subiu para 53,5%.

Quanto aos depósitos, registou uma descida de 162 milhões de euros, totalizando os 12,3 mil milhões de euros, evidenciando “a diminuição registada por alguns clientes institucionais, por um lado, e o aumento observado nos segmentos de particulares e das PME, por outro”.

O banco diz ainda que o rácio de capital total atingiu os 13,2% no final de março, mais 1,8 pontos percentuais face ao final do ano passado.

(Notícia atualizada às 11h08)

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