Depósitos engordam com famílias em casa. Atingem recorde de 159 mil milhões de euros

Valor depositado pelas famílias na banca ascendia a 158,9 mil milhões de euros, em maio. Trata-se de um recorde, que se enquadra num contexto de quebra de consumo mas também de contenção.

As poupanças dos portugueses depositadas na banca não param de engordar em tempos de pandemia. Após um disparo de mais de dois milhões milhões de euros, em abril, o mês de maio trouxe um novo reforço no montante dos depósitos que atingiram um máximo histórico de quase 159 mil milhões de euros.

De acordo com dados disponibilizados pelo Banco Central Europeu (BCE), em maio, o valor total depositado pelos particulares junto da banca cresceu 909 milhões face ao mês anterior, para ascender a 158.913 milhões de euros. Trata-se do montante mais elevado do histórico da entidade liderada por Christine Lagarde que tem início há mais de 17 anos, concretamente, em janeiro de 2003.

Evolução dos depósitos nos últimos cinco anos

Fonte: BCE

O novo recorde dá seguimento ao rumo ascendente dos valores depositados, mas que se intensificou nos últimos três meses devido à pandemia. Somando os 909 milhões de euros que entraram para os depósitos, em maio, ao disparo de 2.067 milhões de euros registado em abril e à subida de 1.613 milhões verificada em março, as poupanças das famílias em depósitos engordaram mais de 4,5 mil milhões de euros nesse período.

Este valor corresponde a mais do dobro da tendência observada no mesmo período dos últimos anos, mas que se enquadra na nova realidade pela qual o país passa. Se muitas famílias viram os seus rendimentos subitamente cortados devido às consequências económicas impostas pelo novo coronavírus, o aumento das poupanças dos portugueses depositadas junto da banca não podem ser dissociadas do mesmo efeito.

Após dois meses de confinamento e o início gradual de desconfinamento no arranque de maio, muitas famílias ainda mantêm-se em casa, consumindo menos. Mas muitas estão também a assumir uma postura preventiva face ao agudizar da crise económica se avizinha, aproveitando para fazer reservas de segurança. Os últimos dados disponíveis mostram que já no primeiro trimestre do ano a taxa de poupança em Portugal atingiu máximos de quase seis anos.

Contas à ordem cada vez mais reforçadas

No que diz respeito ao caso específico do mês de maio, voltou a verificar-se um reforço sobretudo no valor depositado nas contas à ordem, apesar de também ter entrado algum dinheiro para os depósitos a prazo.

Nesse mês, as contas à ordem engordaram em 723 milhões de euros, para atingir 68.283 milhões de euros, também um novo recorde do histórico do BCE.

Num cenário de “magras” remunerações, os portugueses continuam assim a preferir manter o dinheiro “à mão”, mas também possivelmente devido ao cenário de incerteza que muitas famílias vivem. Desta forma, as contas à ordem voltaram a reforçar o seu peso em termos do destino das poupanças, passando a representar 42,97% do dinheiro depositado pelas famílias na banca, o peso mais elevado em pelo menos 17 anos.

Já os depósitos a prazo aumentaram pelo segundo mês — em 162 milhões de euros, em maio — para um total de 81.933 milhões de euros. Trata-se do valor mais elevado desde setembro do ano passado.

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