📹 Chuva quebra produção de cereja em 60%. Mas não só

  • Lusa e ECO
  • 28 Junho 2020

Alguns dos agentes do setor que nesta época estariam a empregar dezenas de trabalhadores na apanha da cereja não estão a recrutar (por não ser economicamente rentável) ou têm as equipas reduzidas.

A campanha da cereja deverá cair 60% e a do pêssego 20% este ano, devido às “condições meteorológicas muito adversas da primavera”, enquanto os cereais de inverno deverão registar um aumento generalizado da produção, segundo dados divulgados pelo INE.

“As previsões agrícolas, em 31 de maio, apontam para uma má campanha das prunóideas, em particular na cereja, onde se prevê uma diminuição no rendimento unitário de 60% face a 2019, mas também no pêssego, cuja produtividade deverá rondar as 9,1 toneladas por hectare (-20%, face à campanha anterior)”, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo explica, “estes decréscimos são consequência das condições meteorológicas muito adversas da primavera, nomeadamente das chuvas intensas que ocorreram em períodos sensíveis do ciclo destas culturas”, e que provocaram ainda “estragos consideráveis” em pomares de maçã, no mirtilo e em muitas culturas hortícolas e batata.

Em contrapartida, nos cereais de inverno estima-se um aumento generalizado nas produtividades (+10% no trigo mole e triticale e +15% no trigo duro, cevada e aveia), mantendo o centeio os níveis de 2019.

Veja o vídeo:

No caso específico da cereja, cuja cultura “é bastante sensível às condições meteorológicas”, o INE refere que a produtividade foi “particularmente afetada” pela queda de neve, a 31 de março, numa das principais zonas de produção (Cova da Beira), quando se estava “em plena fase de floração/polinização das variedades intermédias/de estação/tardias”.

E se esta ocorrência “não afetou significativamente” as variedades precoces, que já estavam em fases mais adiantadas, “os dias de temperaturas anormalmente baixas, a formação de geada e a intensa precipitação da primeira quinzena de abril” acabaram por provocar também “elevados estragos nestas variedades, com grande parte da produção a ficar fendilhada ou sem poder de conservação (e, consequentemente, sem interesse comercial)”.

“A agravar toda esta situação, a intempérie de 31 de maio, com chuvas, granizos e ventos fortes, provocou estragos em muitos dos frutos que tinham conseguido vingar e amadurecer”, acrescenta.

Com resultado, aponta o INE, alguns dos “agentes do setor que nesta época estariam a empregar dezenas de trabalhadores na apanha da cereja não estão a recrutar (por não ser economicamente rentável) ou têm as equipas reduzidas à mão-de-obra que habitualmente presta outros tipos de serviços agrícolas nas explorações”.

No que se refere às culturas de primavera/verão, é salientada a redução de 10% prevista para a área de arroz, devido à interrupção do fornecimento de água a cerca de três mil hectares de canteiros desta cultura enquanto decorrerem as obras de reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Vale do Sado.

Já no milho, batata e tomate para a indústria, as áreas instaladas deverão ser semelhantes às da campanha anterior, enquanto no girassol deverá haver uma redução (-15%, para os sete mil hectares), “acompanhando a tendência observada nos últimos cinco anos”.

No caso do milho de regadio e de sequeiro, o INE aponta para a manutenção da área instalada em torno dos 76 mil e dos sete mil hectares, respetivamente, enquanto na batata a superfície total (sequeiro e regadio) deverá recuar 1% e no tomate a área instalada deverá rondar os 14,9 mil hectares.

De acordo com o instituto, “a pressão das doenças criptogâmicas tem sido intensa, obrigando à intensificação dos tratamentos fitossanitários na generalidade das culturas”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

📹 Chuva quebra produção de cereja em 60%. Mas não só

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião