Generali investe 300 milhões para assumir controlo da Cattolica

  • ECO Seguros
  • 28 Junho 2020

A Cattolica fez um aumento de capital com subscrição reservada à Assicurazioni Generali no quadro de acordo que supõe alteração dos seus estatutos, para dar à Generali posição maioritária e controlo.

A seguradora italiana Cattolica estava obrigada, pelo supervisor italiano, a realizar um reforço de capital por 500 milhões de euros. Atenta à oportunidade de consolidar mais 3,5 milhões de clientes, a Generali acudiu, subscrevendo 300 milhões de euros em novas ações, acedendo assim a uma posição que corresponde a 24,4% do capital social e ao estatuto de maior acionista da Cattolica.

Os restantes 200 milhões que a Cattolica precisa de arranjar para completar a exigência de capitalização imposta pelo supervisor (IVASS – Istituto per la vigilanza sulle assicurazioni) serão levantados numa segunda emissão com direito de opção e aberta a todos os acionistas, incluindo a própria Generali.

A entrada da líder italiana do setor no capital da Cattolica resulta de um acordo estratégico que estabelece um compromisso de longo de prazo, por parte da Generali, no pressuposto de que a Cattolica (até agora uma entidade de natureza cooperativa) se transforme (até abril de 2021) numa sociedade por quotas (joint-stock company) e de responsabilidade partilhada e com novo modelo de governance.

A condição de transformação estatutária é vinculativa para a efetivação do negócio
no sentido de proteger os interesses da Generali, salienta a companhia italiana em comunicado.

A parceria estratégica com a Cattolica representa atualmente uma oportunidade única em Itália para o crescimento rentável na gestão de ativos e serviços inovadores para os clientes P&C, pilares da nossa estratégia Life-time Partner 2021. Isto permite-nos alargar os nossos serviços de saúde e telemáticos aos mais de 3,5 milhões de clientes Cattolica”, declarou Marco Sesana, Country Manager e CEO da Generali Italia e Global Business Lines.

Segundo acordado, a parceria estratégica assenta em três pilares: o primeiro sustenta-se em acordos na vertente comercial em quatro áreas de negócio (gestão de ativos; internet das coisas; saúde e resseguro); em segundo lugar, a administração da Cattolica deverá aprovar numa AG extraordinária a realizar até final de julho, as operações de aumento de capital (a parte reservada à General e a segunda tranche de 200 milhões) e simultaneamente comprometer-se a proceder às adaptações dos seus textos legais (acordo parassocial e pacto social). O terceiro pilar sustenta a garantia de que a Generali se constitui acionista maioritário e pode participar no subsequente reforço de capital adicional, com direito de opção pro rata (numa base proporcional), na emissão de até um máximo de 200 milhões de euros de novas ações.

O acordo entre as partes estabelece ainda que a Generali deverá nomear três membros para o conselho de administração da Cattolica, com direito de veto em assembleias-gerais de acionistas e em decisões do conselho de administração (da nova participada) que eventualmente possam colidir com os seus interesses.

Grupo inspirado na doutrina social da Igreja com 7 mil milhões de prémios anuais

A Cattolica, é hoje um um dos maiores grupos seguradores com quase 7 mil milhões de prémios emitidos em 2019, tem sede em Verona, onde nasceu em 1896 fundada por agricultores que buscavam proteção para incêndios e geada. Desde sempre cooperativa, embora tenha conseguido obter cotação na Bolsa de Milão em 2000, a sua inspiração é estatutariamente católica, perseguindo a “doutrina social da Igreja”, inspirada na encícilica Rerum Novarum, do papa Leão XIII publicada em 1891.

Daí ter uma forte presença de mercado no mundo religioso, associativo e cooperativo, bem como na agro-indústria, pequenas e médias empresas e em seguros profissionais.

A empresa mãe Cattolica Assicurazioni, controla cerca de 12 companhias de seguros, de resseguros e de bankinsurance e nove companhias imobiliárias, agrícolas e de serviços. Tem mais de 1700 colaboradores e distribui produtos através 1300 agências, 1800 mediadores e mais de 6 mil balcões bancários.

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