Pandemia faz disparar procura por piscinas. Famílias gastam até 20 mil euros

A pensar num verão que será diferente devido à pandemia, as famílias desencadearam uma corrida às piscinas. Empresas do setor não têm mãos a medir e o stock nas lojas esgota constantemente.

Se antes não havia tempo ou oportunidade para fazer melhorias em casa, a pandemia abriu uma nova janela para muitas famílias. Há três meses em confinamento, os portugueses aproveitaram para fazer obras em casa e meter mãos à obra numa série de outros projetos.

A antecipar um verão que será diferente, mais condicionado, houve quem tenha optado por criar em casa o seu próprio espaço de lazer. As piscinas desapareceram das lojas e as empresas que as constroem não têm mãos a medir. Das mais pequenas às maiores, a procura por piscinas disparou durante a pandemia. Quem pode, gasta até 20 mil euros para as ter.

Pedro Pinto está emigrado na Suíça. Foi a pensar nos três filhos pequenos, e nas vindas a Portugal, que decidiu construir uma piscina na casa que ainda mantém com a esposa em Vila Real. “Somos emigrantes e como estamos pouco tempo em Portugal queríamos sempre fazer alguma coisa”, conta ao ECO o motorista de 42 anos, referindo que é também “uma maneira de as crianças estarem entretidas” nestes tempos.

Falou com empresas na zona de Vila Real, mas os modelos eram “básicos e simples”. Pedro Pinto queria “algo com mais requinte”. Optou depois por recorrer às redes sociais e a plataformas de classificados como o OLX e Custo Justo, onde acabou por encontrar o que procurava. “Pedi vários modelos e, com base nisso, fiz uma seleção”, conta. A piscina já começou a ser construída, em betão, e terá dez por cinco metros. “Vai custar cerca de 20 mil euros, com limpeza automática, tratamento de cloro e cobertura”, diz, notando que o orçamento foi aumentando à medida que se escolheram os materiais e acessórios.

Mais abaixo, em Oliveira de Azeméis, Suzana Lopes também decidiu construir uma piscina semelhante em casa, motivada por estes meses de pandemia. A ex-banqueira despediu-se em março e, dias depois, descobriu que estava infetada com coronavírus. “A minha recuperação aconteceu a 20 de abril e, nessa altura, depois de um período tão complicado, resolvemos em família que o orçamento das férias, mais um reforço, poderia ser canalizado” para uma piscina, conta ao ECO.

Não achamos que este ano houvesse a possibilidade de irmos de férias de forma tranquila. (…) Resolvemos em família que o orçamento das férias mais um reforço poderiam ser canalizados para algo para o futuro, uma piscina.

Suzana Lopes

Ex-banqueira

Com dois filhos, Suzana Lopes e o marido não pensaram que este ano fosse possível ir de férias “de forma tranquila”. Decidiram, então, meter mãos às obras e iniciaram este mês a construção de uma piscina com dez por quatro metros. Contrataram uma empresa de construção civil, conhecida do marido, e contam gastar cerca de 6.000 euros no projeto. Reconhece, no entanto, que teve sorte: “Esta empresa foi por muito especial favor. Este ano é uma loucura com a procura para a construção de piscinas”, diz a ex-banqueira, acrescentando que as obras são “feitas à pressa e ao sábado”.

Também há quem tenha orçamentos mais baixos mas, devido à pouca oferta, se veja obrigado a aceitar preços mais altos do que o inicialmente previsto. A pensar na filha de quatro anos e no atual contexto da pandemia, Emanuel Antunes decidiu passar as férias em casa, em Montemor-o-Velho. Começou por remodelar o jardim e uma ideia levou à outra: “No início de maio pensei em remodelar o jardim por completo e, no projeto que fiz, deixei um espaço com 20 metros quadrados para um terraço. Mas no início de junho estava a ver um folheto de uma empresa de piscinas e pensei que ficava bem ali uma piscina em cima do terraço”, conta ao ECO.

Tomada a decisão, foi altura de começar a procurar. Mas o processo não foi fácil: “Procurei em várias empresas de piscinas e não encontrava nada”, conta, referindo que estava tudo esgotado. “Depois de muito procurar, uma das empresas tinha uma piscina de 4,60 metros. Como estava farto de procurar, disse logo que ficava com ela”, recorda. Emanuel Antunes comprou, assim, uma piscina oval, de madeira, por 799 euros, uma medida e valor que ficaram um pouco fora do planeado, mas que aceitou devido à pouca oferta no mercado. “Não era esta a medida que queria, mas tive de a comprar pois não existem piscinas em lado nenhum”, realça.

Procura por piscinas dispara 547% em abril. Lisboa e Porto dominam

Plataformas como o OLX oferecem as duas possibilidades: a compra de uma piscina em segunda mão ou a contratação de uma empresa para a construir. E os números são claros como a água. Durante a fase de desconfinamento, em maio, o termo “piscina” foi o segundo mais procurado na plataforma de classificados, logo atrás de “bicicleta”, outro artigo cuja oferta tem vindo a esgotar nestes tempos tão diferentes. Na categoria “Móveis, Casa e Jardim”, a “piscina” foi mesmo a líder das pesquisas.

De acordo com dados do OLX avançados ao ECO, em março, a procura por piscinas no site subiu 125% face a janeiro. Daí para a frente, foi sempre a acelerar. Em abril, disparou 547%. E, de todas as pesquisas, Lisboa e Porto concentraram o maior número, a rondar os 22% cada um. Em termos de anúncios publicados, em março havia 170 piscinas e acessórios à venda no OLX, 283 em abril e 1.033 em maio, o equivalente a uma subida de 508% nesses três meses.

Piscina construída pela CR Piscinas, de Cristiano Godinho.CR Piscinas/Facebook

Cristiano Godinho é um dos muitos empresários que não tem mãos a medir nesta altura. Fundou a CR Piscinas em 2017 e este está a ser a época de verão com mais trabalho. “Estamos a trabalhar entre 10 a 12 horas por dia, feriados e fins de semana, para conseguir dar resposta ao maior número de clientes. Mesmo assim continuamos a negar muito serviço”, conta ao ECO.

Os técnicos da CR Piscinas deslocam-se a qualquer zona do país, mas é no litoral onde há mais procura. “Vai ser um verão excelente”, diz Cristiano Godinho, referindo que “a procura aumentou cerca de 200%”. “Passámos de três a quatro consultas por semana a cerca de dez consultas por dia, sensivelmente”, nota o responsável, que diz construir todo o tipo de piscinas — tanto de madeira montáveis como enterradas. Ainda assim, o que os portugueses mais têm procurado são piscinas com oito por quatro metros ou sete por três metros.

Estamos a trabalhar entre dez a 12 horas por dia, feriados e fins de semana, para conseguir dar resposta ao maior número de clientes. Mesmo assim continuamos a negar muito serviço.

Cristiano Godinho

CR Piscinas

A CR Piscinas entrega cerca de três piscinas por mês, com um valor médio de 13 mil euros. Mas Cristiano Godinho já entregou piscinas bem mais caras. Este ano, a mais cara custou 35 mil euros, mas nos anos anteriores já houve uma a custar cerca de 65 mil euros. Outra tendência que se está a observar este ano é a recuperação de piscinas. “Temos tido muitos casos de clientes que têm piscinas enterradas e abandonadas há muitos anos e que querem ativá-las, restaurá-las ou terminá-las”, diz o responsável.

O ECO questionou o Leroy Merlin e a Decathlon para perceber como evoluiu a venda de piscinas durante estes meses, mas nenhuma das empresas enviou esses dados.

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