Há cada vez mais jovens adultos a morar em casa dos pais devido aos baixos rendimentos

Desde a crise que o número de jovens até aos 34 anos a morar em casa dos pais tem vindo a aumentar. Isto porque os baixos rendimentos não permitem aceder ao mercado de habitação.

Há cada vez mais jovens adultos a viver em casa dos pais. Essa é uma tendência que tem vindo a acentuar-se nos últimos anos, principalmente depois da crise, e os dados mostram isso mesmo: em território nacional, mais de 63% destes jovens vive em casa dos pais, concluiu um estudo da Fundação Calouste Gulbenkian. Embora tenha sido tomadas medidas no sentido de facilitar o acesso destes jovens adultos ao mercado de habitação, as autoras acreditam que ainda há muito para fazer.

Em 2017, mais de 63% dos jovens adultos entre os 18 e os 34 anos viviam em casa dos pais. Uma percentagem que compara com os 55,2% observados em 2004, mostram os dados do Eurostat, citados pelo estudo “Habitação própria em Portugal — Uma perspetiva intergeracional” da Gulbenkian. Analisando estes 14 anos, a tendência tem sido de aumento, principalmente em Portugal, que tem uma das percentagens mais elevadas.

“A crise económica agravou a instabilidade no emprego, reduziu os rendimentos, e contribuiu para prolongar a permanência dos jovens em casa dos pais”, refere o estudo elaborado por Romana Xerez, Elvira Pereira e Francielli Dalprá Cardoso. E uma das principais justificações deverá estar nos preços praticados atualmente no mercado de habitação e nos rendimentos que não são suficientes para suportar essas despesas.

Face a este cenário, as autoras acreditam que os millennials podem estar a ser mais prejudicados do que as duas gerações anteriores. “Estes jovens podem estar numa situação de desvantagem. Esta crise [provocada pelo coronavírus] vai reforçar ainda mais esta questão de desvantagem”, diz Romana Xerez. A verdade é que os números já mostram isso mesmo: um em cada seis jovens perdeu o emprego com a pandemia, segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT).

Para as autoras do estudo, o Estado tem um papel fundamental neste campo. Embora reconheçam que recentemente houve esforços nesse sentido, como por exemplo a aprovação da Lei de Bases da Habitação, admitem que ainda há muito caminho a percorrer. “É uma situação real e muito complexa. Na questão dos jovens temos apenas o Porta 65. O acesso à habitação não é uma questão de opção só das famílias, mas também de uma parte do Estado”, diz Romana Xerez, acrescentando que “os dados sugerem que a intervenção pública nesta área deve ser diferente e maior”.

Ainda sobre o Porta 65, a autora nota que o programa “tem uma duração reduzida, porque três anos de apoio ao arrendamento é um período muito curto”. “Estas desvantagens explicam o facto de os jovens ficarem mais tempo em casa dos pais. Os dados sugerem que há a necessidade de uma maior intervenção pública. Estamos a ver situações novas e são para essas situações novas que precisamos de abordagens novas. É um bocadinho para isso que o Estado Social surge”, remata.

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