Galamba acusa Rio de não estar “sintonizado” com Câmara de Estarreja do PSD no hidrogénio

Para o autarca social-democrata de Estarreja, o hidrogénio é já tido como uma “fonte de energia que se vai revelando solução cada vez mais viável". Rio disse o contrário no Estado da Nação.

O secretário de Estado da Energia, João Galamba, reagiu no Twitter à intervenção de Rui Rio esta sexta-feira no debate do Estado da Nação, onde o presidente do PSD disse que a aposta no hidrogénio pode ser um projeto “extremamente perigoso” por se tratar de uma “tecnologia ainda muito atrasada”. “Não temos condições para aventuras nem para ideias megalómanas”, atirou Rio no Parlamento.

Nas redes sociais, Galamba não demorou a escrever que “Rui Rio não está sintonizado com a Câmara de Estarreja, que apoia o projeto de hidrogénio “mais megalómano” de todos, o da Bondalti. É que a Câmara de Estarreja, que é do PSD, é promotora do maior projeto (de longe) apresentado”.

Em comunicado, a Câmara Municipal de Estarreja tinha já revelado que a Bondalti Chemicals apresentou a sua manifestação de interesse de investimento na fileira industrial do hidrogénio com o projeto “H2Enable – The Hydrogen Way for Our Chemical Future”, no valor de 2,4 mil milhões de euros e cuja implementação será até 2040.

Para Diamantino Sabina, presidente da autarquia, “as décadas de experiência do complexo químico, confere-lhe o mote para ser também líder na indústria limpa e sustentável”. Na sua visão, mesmo com o futuro ainda incerto, o hidrogénio é já tido como uma “fonte de energia que se vai revelando solução cada vez mais viável. Vejo neste projeto a necessária determinação e arrojo e, claro, com ele o desenvolvimento do nosso concelho e região”, disse o autarca social-democrata no comunicado. Esta proposta prevê a criação entre 55 e 70 novos postos de trabalho diretos.

Mas o líder do PSD tem uma opinião diferente sobre o hidrogénio. “Para termos investimento privado, só com subsídios. Receio que tenhamos pela frente mais um episódio de rendas garantidas agora para o hidrogénio”, disse o líder do PSD, questionando porque é que a “fatia de leão” do investimento será em Sines tendo em conta que “os custos de transporte do hidrogénio são brutais”.

“Será que é em Sines porque este negócio interessa mais à EDP do que aos portugueses, a exemplo do negócio de rendas excessivas que agora o Ministério público está a investigar? Não temos condições para aventuras nem para ideias megalómanas. E a situação pode ser pior se o Governo vier a fazer novos leilões com rendas garantidas para a energia renovável agora com a desculpa que é para produzir hidrogénio”, acusou Rio, rematando: “Pode garantir-nos que não haverá mais negócios da China?”.

Luís Leite Ramos, também do PSD, pediu a Costa para explicar se o Governo vai realizar um concurso internacional para a escolha dos parceiros estratégicos do Governo na fábrica de hidrogénio que vai nascer em Sines.

Em resposta, o primeiro-ministro António Costa garantiu esta sexta-feira no debate do Estado da Nação que a aposta do Governo português no hidrogénio verde não vai gerar novas rendas excessivas no setor da eletricidade, como aconteceu no passado com os CMEC nas centrais térmicas ou as tarifas feed in nas renováveis.

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