Governo recebe 74 propostas para projetos de hidrogénio. Investimentos somam 16 mil milhões

  • Lusa
  • 19 Julho 2020

O Governo recebeu 74 intenções de investimento na fileira industrial do hidrogénio no montante de 16 mil milhões de euros, o equivalente a 7,5% do PIB português.

O Governo recebeu 74 intenções de investimento na fileira industrial do hidrogénio no montante de 16 mil milhões de euros, o equivalente a 7,5% do PIB português, anunciou este domingo o Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

“Foram recebidas, no processo de consulta ao mercado terminada na sexta-feira, 17 de julho, 74 manifestações de interesse relacionados com projetos de investimento na fileira industrial do hidrogénio”, refere o gabinete do ministro João Pedro Matos Fernandes.

Estes dados, provisórios, dizem respeito a projetos de empresas portuguesas e europeias, abrangendo toda a cadeia de valor, com participações dos setores público e privado, e mobilizando grandes empresas, PME (Pequenas e Médias Empresas), agentes de inovação e de investigação. “Os projetos abrangem também diferentes áreas estratégicas, desde a produção de hidrogénio verde aos transportes”, indica.

O projeto que mobiliza mais recursos é da área química e revela, desde já, a capacidade de mobilização da indústria portuguesa e o reconhecimento da oportunidade do desenvolvimento da economia do hidrogénio, em contexto nacional e europeu, destaca a tutela. Os projetos submetidos resultam do processo de manifestação de interesse lançado pelo Governo, através do Despacho n.º 6403-A/2020, de 18 de junho.

Esta auscultação do mercado foi criada para robustecer a candidatura portuguesa ao Important Project of Common European Interest e para incentivar sinergias a nível de cluster industrial. O convite destinava-se a empresas ou entidades portuguesas ou europeias cujos projetos se traduzissem num valor acrescentado para o país, nomeadamente por via do estabelecimento em Portugal e da criação de emprego, e na redução de emissões de dióxido de carbono equivalente associada aos projetos.

Segue-se, agora, a fase de análise e de verificação dos requisitos previstos no convite à manifestação de interesse, a realizar pelo Comité de Admissão de Projetos, que envolve as áreas governativas da Economia e Transição Digital, do Ambiente e da Ação Climática e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Negócios Estrangeiros.

O comité será apoiado, a nível técnico, pela Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) e pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG). Este processo de consulta ao mercado conclui-se após a apresentação da Estratégia Nacional para o Hidrogénio, cuja consulta pública terminou em 6 de julho, com a participação de mais de 80 entidades, 40 das quais empresas. Para dia 27 de julho está agendado um infoday com o objetivo de clarificar eventuais complementaridades nas manifestações de interesse submetidas.

Contactada pela Lusa, fonte do gabinete do ministro do Ambiente e da Ação Climática escusou dar mais pormenores sobre as manifestações de interesse recebidas, referindo que há reserva em relação às propostas. Em declarações ao Público, Matos Fernandes escusou-se também a identificar as empresas e as entidades que compareceram a este convite internacional, mas acedeu a caracterizar a diversidade de propostas e a dimensão dos projetos, em termos de valores de investimento.

A proposta com o menor valor de investimento é de 1,3 milhões de euros e a mais elevada é de 2,4 mil milhões de euros, segundo avançou o ministro. A proposta de maior valor de investimento foi apresentada por um consórcio da área química para a zona industrial de Estarreja, acrescentou.

O ministro do Ambiente sinalizou ainda a entrada de um grande projeto na área dos transportes liderado por uma entidade pública, “para a reconversão e reutilização de material de transporte movido a hidrogénio”, no valor de 275 milhões de euros. O Público apurou tratar-se de um projeto apresentado pela CP em conjunto com a Salvador Caetano, e que envolve outras entidades do setor científico, como a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. O projeto ainda vai ter de ser estudado em termos de viabilidade económica, numa altura em que estão em curso, e com financiamento garantido, investimentos para a eletrificação de praticamente toda a rede ferroviária nacional.

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