Depósitos das famílias superam marca histórica dos 160 mil milhões

Valor depositado pelas famílias na banca ascendia a 161,2 mil milhões de euros, em junho. Trata-se de um recorde, que se enquadra num contexto pagamento de subsídios de férias mas também de contenção.

As poupanças das famílias depositadas na banca não páram de aumentar. Junho foi marcado por um novo recorde no valor dos depósitos na banca nacional, que pela primeira vez ultrapassaram a barreira dos 160 mil milhões de euros. Esse máximo coincide com o pagamento de muitos subsídios de férias.

De acordo com dados disponibilizados pelo Banco Central Europeu (BCE), em junho, o valor total depositado pelos particulares junto da banca ascendia a 161.263 milhões de euros. Trata-se do montante mais elevado do histórico da entidade liderada por Christine Lagarde que tem início há mais de 17 anos, concretamente, em janeiro de 2003.

Esse recorde histórico resulta de um crescimento de 2.340 milhões de euros nas aplicações em depósitos num mês em que os funcionários públicos mas também os trabalhadores de muitas empresas receberam o subsídio de férias.

Evolução das aplicações em depósitos

Fonte: BCE

Contudo, o valor que entrou para os depósitos em junho é também o mais elevado dos últimos nove anos, confirmando a aceleração que se verifica desde o início da pandemia em março. Desde essa altura, o montante aplicado pelos portugueses em depósitos engordou em perto de sete mil milhões de euros (6.939 milhões de euros). Ou seja, mais do que o dinheiro que entrou para os depósitos da banca em todo o ano passado: 5.520 milhões de euros.

Tal enquadra-se na nova realidade pela qual o país passa. Se muitas famílias viram os seus rendimentos subitamente cortados devido às consequências económicas impostas pelo novo coronavírus, o aumento das poupanças dos portugueses depositadas junto da banca não podem ser dissociadas do mesmo efeito.

Após dois meses de confinamento e o início gradual de desconfinamento, muitas famílias ainda mantêm-se em casa, consumindo menos. Mas muitas estão também a assumir uma postura preventiva face ao agudizar da crise económica que se avizinha, aproveitando para fazer reservas de segurança.

Contas à ordem cada vez mais reforçadas

No que diz respeito ao caso específico do mês de junho, voltou a verificar-se um reforço sobretudo no valor depositado nas contas à ordem, apesar de também ter entrado algum dinheiro para os depósitos a prazo.

Nesse mês, as contas à ordem engordaram em 2.071 milhões de euros, para atingir 70.360 milhões de euros, também um novo recorde do histórico do BCE.

Num cenário de “magras” remunerações, os portugueses continuam assim a preferir manter o dinheiro “à mão”, mas também possivelmente devido ao cenário de incerteza que muitas famílias vivem. Desta forma, as contas à ordem voltaram a reforçar o seu peso em termos do destino das poupanças, passando a representar 43,63% do dinheiro depositado pelas famílias na banca, o peso mais elevado em pelo menos 17 anos.

Já os depósitos a prazo aumentaram pelo terceiro mês — em 245 milhões de euros, em junho — para um total de 90.1823 milhões de euros. Trata-se do valor mais elevado desde agosto do ano passado.

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