Saiba quanto vai poupar com fim das comissões de prestação no crédito

Banca vai deixar de cobrar pelo processamento da prestação dos créditos. Medida aplica-se apenas a novos financiamentos, libertando os clientes de um encargo que, em média, rondará 30 euros por ano.

O Parlamento colocou um travão às comissões bancárias. Além de limites no MB Way, determinou o fim de um conjunto de encargos associados ao crédito, nomeadamente no processamento de prestações nos novos empréstimos. Para quem for contratar um crédito à habitação, a eliminação desta comissão poderá representar poupanças que, no limite, poderão aproximar-se de 1.700 euros para as famílias.

Os bancos deixam de poder cobrar uma comissão que, é na prática um encargo cobrado ao cliente pelo facto de este estar a cumprir um compromisso assumido com o banco, que é o de pagar a prestação mensal.

O fim da comissão de processamento apenas se irá aplicar nos novos créditos seja para habitação como para consumo, o que significa que nos contratos existentes os respetivos titulares vão ter de continuar a fazer face a esse encargo que todos os anos rende muito dinheiro aos bancos. Segundo cálculos da Deco, os bancos arrecadam cerca de 285 milhões de euros por ano na cobrança de comissões pela processamento de prestações do crédito.

No quadro atual, os valores cobrados em comissões de processamento variam consoante as instituições e em alguns casos da finalidade do crédito. Os clientes com crédito à habitação tendem, contudo, a ser os mais sacrificados, já que está em causa um tipo de financiamento que tende a ter um prazo mais dilatado face ao que acontece no crédito pessoal ou automóvel.

Quanto cobra cada banco para processar prestações no crédito

Fonte: Preçários dos bancos | Nota: Bankinter não disponibiliza crédito automóvel e Banco CTT não oferece crédito automóvel ou pessoal

Considerando o universo dos dez bancos mais representativos na concessão de crédito à habitação, apenas o BPI não cobra aos clientes pelo processamento da prestação da casa. Considerando os restantes bancos, este encargo oscila entre um mínimo de 1,5 euros (Eurobic) e um máximo de 3,5 euros (Novo Banco), antes de aplicados impostos.

Ao fim de um ano, o pagamento da prestação representa assim um custo entre 18 euros e 42 euros. Em 40 anos de financiamento, o encargo total pode assim chegar a 1.680 euros — antes de aplicar o imposto de Selo a uma taxa de 4% — no caso do banco que cobra o valor mais alto: o Novo Banco.

À parte de algumas exceções, nas restantes finalidades de crédito — pessoal e automóvel — a maioria dos bancos tende a cobrar pelo processamento da prestação valores semelhantes aos empréstimos para a compra de casa.

No caso do crédito pessoal, o valor mensal oscila também entre o mínimo de 1,5 e o máximo de 3,5 euros, sendo que o BPI volta a ser a única instituição a não aplicar qualquer comissão por este serviço.

Mas o mesmo já não acontece no caso do crédito automóvel. Aí o BPI já prevê a aplicação de um encargo mensal de 2,5 euros pelo processamento da prestação. Os valores mais baixos são aplicados pelo Montepio e pelo EuroBic: 1,5 euros.

Já o Santander destaca-se como o banco que aplica a comissão mais elevada nesta finalidade de crédito. O processamento da prestação do crédito automóvel neste banco representa um custo mensal de 5,5 euros para o cliente. Ao fim de um ano, tal significa um encargo extra de 66 euros face ao valor da prestação. Num financiamento de cinco anos, por exemplo, estão em causa 330 euros.

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