Crescimento dos salários abranda com pandemia. Portugueses ganham em média 1.326 euros.

Abrandamento no crescimento dos salários no segundo trimestre do ano deve-se a medidas relacionadas com a pandemia, como o lay-off. Mesmo assim, houve um crescimento de 1,6%.

A remuneração média dos trabalhadores portugueses continuou a subir, no segundo trimestre deste ano, embora tenha desacelerado. Fixou-se nos 1.326 euros, nos meses de abril a junho, mais 1,6% do que no mesmo período do ano passado, segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quinta-feira. A subida neste semestre, que foi já marcado pelo confinamento, compara com aquela registada no anterior, que foi de 3,2%.

“A dinâmica recente das remunerações médias no trimestre terminado em junho de 2020 foi significativamente influenciada pela instituição do regime de lay-off simplificado”, justifica o INE. Desta forma, “entre as empresas que recorreram a este regime a variação nominal homóloga das remunerações médias total, regular e base situou-se, respetivamente, em -2,0%, -0,1% e +0,7%, enquanto no conjunto das restantes empresas se fixou em +5,5%, +5,5% e +5,6%, pela mesma ordem”, completa.

O regime de lay-off simplificado garantia aos trabalhadores das empresas mais afetadas o pagamento de, pelo menos, dois terços da sua remuneração, com um limite mínimo de 635 euros.

Voltando a olhar para o quadro geral, a remuneração bruta base mensal média por trabalhador, que inclui apenas a remuneração base, teve um crescimento homólogo de 3%, para 1.005 euros em junho deste ano, uma variação que foi igual à de março de 2020, mês em que ultrapassou pela primeira vez os 1.000 euros.

No que diz respeito ao ordenado bruto regular (que excluiu os subsídios de férias e de Natal e tem, por isso, um comportamento menos sazonal), também se verificou um aumento homólogo de 2,6%, de 1.038 euros em junho de 2019 para 1.065 euros em junho de 2020, crescimento que é inferior aquele registado em março deste ano.

Quando se olha para as atividades económicas, foi na área do Alojamento, restauração e similares, um dos setores mais afetados pelas restrições implementadas devido à pandemia, que se registou a remuneração total mais baixa, de 716 euros, em junho. No outro extremo encontram-se as atividades da Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio, com uma remuneração de 3.074 euros.

As remunerações continuaram mais altas no Estado do que no privado, mas o lay-off assumiu novamente um papel nas variações destes setores, acentuando a diferença. “No setor privado, a remuneração total registou uma variação homóloga inferior à do setor das Administrações Públicas (0,5% vs. 2,8%)”, totalizando os 1.154 euros em junho, adianta o INE.

De salientar que estes dados dizem respeito a cerca 4,0 milhões de postos de trabalho, correspondentes a beneficiários da Segurança Social e a subscritores da Caixa Geral de Aposentações.

(Notícia atualizada às 12h05)

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