Tem a sensação de que trabalha mais em casa? O INE diz que não

População que trabalhou sempre ou quase sempre em casa no período de referência trabalhou, em média, menos 1 hora do que os que não o fizeram, aponta o INE.

Desde que trabalha a partir de casa, sente que trabalha mais? De acordo com os dados divulgados, no segundo trimestre de 2020, a população que trabalhou sempre ou quase sempre a partir de casa trabalhou, em média, 33 horas por semana, mais 8 horas do que a população que não trabalhou em casa ou que não trabalhou sempre ou quase sempre em casa (25 horas, em média).

No entanto, quando retirados os que estiveram ausentes do trabalho na semana de referência, observa-se que “a população que trabalhou sempre ou quase sempre em casa no período de referência trabalhou, em média, menos 1 hora do que a população que não trabalhou em casa ou que não trabalhou sempre ou quase sempre em casa (35 e 36 horas, respetivamente)”, assinala o Instituto Nacional de Estatística.

“A diferença entre estas médias de horas semanais pode ser explicada pelo elevado aumento da população empregada ausente do trabalho na semana de referência, nomeadamente como consequência do regime de lay-off simplificado, e cujas horas trabalhadas (zero) foram contabilizadas neste indicador, assim como pela redução da jornada de trabalho que pode ter ocorrido em algumas empresas”, explica o INE.

À Pessoas/ECO, o INE alerta que este indicador (que mediu as 35 e 36 horas de trabalho) refere-se às horas “efetivamente trabalhadas”, na semana de referência, e “não às habitualmente trabalhadas“. Explica ainda que, para chegar a esta conclusão, teve em conta o conceito de empregado, que se refere a um indivíduo com idade mínima de 15 anos que, no período de referência, se encontrava numa das seguintes situações:

  • tinha efetuado um trabalho de pelo menos uma hora, mediante o pagamento de uma remuneração ou com vista a um benefício ou ganho familiar em dinheiro ou em géneros;
  • tinha uma ligação formal a um emprego, mas não estava ao serviço;
  • tinha uma empresa, mas não estava temporariamente a trabalhar por uma razão específica;
  • ou estava em situação de pré-reforma, mas a trabalhar.

Desta forma, o Instituto Nacional de Estatística conclui que é “assim possível trabalhar menos de 35 horas por semana e pertencer à população empregada. É o caso, por exemplo, dos trabalhadores a tempo parcial ou daqueles que estiveram ausentes parte da semana de referência (devido a férias, doença, entre outros)“, acrescenta o INE.

Quem não esteve ausente e trabalhou fora de casa trabalhou, em média, 36 horas nessa semana e quem não esteve ausente e trabalhou a partir de casa, trabalhou 35 horas“, assinala o Instituto Nacional de Estatística.

Contudo, o feedback de muitos profissionais em teletrabalho aponta para o contrário, ou seja, que em regime remoto acabam por trabalhar muito mais horas. Em resposta a esta questão, o INE refere que “é possível que haja pessoas que trabalharam mais horas do que as habitualmente trabalhadas nas instalações do empregador, mas outras que não o fizeram por uma miríade de razões (devido ao acompanhamento de crianças ou outros dependentes, redução da atividade da empresa empregadora, doença, entre outros)”.

No segundo trimestre de 2020, o número de teletrabalhadores em Portugal cresceu 23,1% para mais de um milhão de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta quarta-feira. De acordo com o relatório, o número de população empregada que indicou ter exercido a sua profissão sempre ou quase sempre em casa na semana de referência ou nas três semanas anteriores foi estimada em 1,094 milhões de pessoas. Destas, 998,5 mil pessoas (91,2%) indicaram que a razão principal para terem trabalhado em casa se deveu à pandemia de Covid-19.

A Área Metropolitana de Lisboa foi a região do país em que se verificou um maior número de empregados que trabalharam sempre ou quase sempre em casa nas quatro semanas de referência (36,0%). A percentagem foi mais elevada entre mulheres (25,2%) do que entre homens (21,1%), e entre aqueles com um nível de ensino completo correspondente ao ensino superior (53,8%). Os trabalhadores por conta de outrem registaram uma maior incidência em teletrabalho (23,4%) do que entre os trabalhadores por conta própria (22,0%).

Também de acordo com estatísticas divulgadas pelo INE, o número de horas trabalhadas em Portugal no segundo trimestre registou a maior queda desde 2011. O valor caiu 26,1%, face ao mesmo período do ano passado. A redução do volume de horas trabalhadas está “sobretudo associada ao aumento da população empregada ausente do trabalho, que ascendeu a 1.078,2 mil pessoas”, explica o INE.

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