Trabalho remoto dispara com Covid. Portugal tem um milhão de pessoas em teletrabalho

Segundo dados divulgados pelo INE, o número de teletrabalhadores em Portugal cresceu 23,1% no segundo trimestre deste ano. Pandemia foi razão principal para este aumento.

No segundo trimestre de 2020, o número de teletrabalhadores em Portugal cresceu 23,1% para mais de um milhão de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta quarta-feira.

De acordo com o relatório, o número de população empregada que indicou ter exercido a sua profissão sempre ou quase sempre em casa na semana de referência ou nas três semanas anteriores foi estimada em 1,094 milhões de pessoas. Destas, 998,5 mil pessoas (91,2%) indicaram que a razão principal para ter trabalhado em casa se deveu à pandemia de Covid-19.

Comparando as horas trabalhadas durante o período analisado e a semana de referência, “não há grande diferença entre trabalhar em casa ou fora de casa”, analisa ainda o INE. “Quem não esteve ausente e trabalhou fora de casa trabalhou em média 36 horas nessa semana e quem não esteve ausente e trabalhou a partir de casa, trabalhou 35 horas”, assinala o Instituto Nacional de Estatística.

Do total, verificou-se ainda que 1,03 milhões de pessoas usam tecnologias de informação e comunicação para poderem desempenhar as suas funções de trabalho em casa — o correspondente a 21,9% do total da população empregada.

"Quem não esteve ausente e trabalhou fora de casa trabalhou em média 36 horas nessa semana e quem não esteve ausente e trabalhou a partir de casa trabalhou 35 horas.”

INE

O INE conclui ainda que 643,8 mil pessoas empregadas “não trabalharam no emprego principal durante o período de referência”, nem em casa, nem noutro local. A principal razão apontada para esta impossibilidade, por 76,3% (491,5 mil pessoas), foi a pandemia.

O número de trabalhadores a partir de casa já vinha a aumentar nos últimos anos, principalmente na zona norte do país. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados no final do ano passado, em apenas quatro anos, este indicador aumentou mais de 70% para um total de 120.000 trabalhadores. No segundo trimestre de 2015, segundo o INE, eram 68.300 os portugueses que trabalhavam a partir de casa. Contudo, desde essa altura, esse número quase duplicou para um total de 120.700 trabalhadores, no segundo trimestre de 2019.

Segundo o mais recente estudo “Remote work em Portugal”, apresentado pela JLL, cerca de 95% dos inquiridos gostaria de continuar a trabalhar a partir de casa depois da pandemia, sendo o trabalho remoto de dois a três dias por semana a opção favorita.

Entre as principais vantagens do teletrabalho enumeradas pelos participantes estão a ausência de tempo perdido nas deslocações casa-trabalho-casa (32%), interrupções menos recorrentes (27%), a possibilidade de uma agenda flexível (25%) e o aumento de tempo para a família (13%). Para 83% dos profissionais é relevante que uma proposta de trabalho passe a considerar o teletrabalho associado a uma agenda flexível: estes fatores podem ser importantes na hora de captar e reter talento.

Nas últimas semanas, tecnológicas como a Google, o Twitter, o Web Summit ou a Uber anunciaram que vão manter os seus trabalhadores a partir de casa — caso seja esse o seu desejo — até diferentes períodos do próximo ano. Em Portugal, já há empresas que já contratam a pensar em trabalhadores que o façam, em exclusivo, a partir de casa.

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