Défice externo melhora em junho, mas continua maior do que em 2019

As contas externas deterioram-se de forma significativa até maio, mas melhoraram em junho. Contudo, com muito menos turismo, o défice externo continua acima dos valores de 2019.

O défice externo melhorou em junho, face aos meses anteriores, mas o acumulado desde o início do ano continua a mostrar contas externas mais desequilibradas do que em 2019. O saldo externo entre janeiro e junho ficou nos -1.985 milhões de euros, o que compara com -1.662 milhões de euros em igual período de 2019, revela o Banco de Portugal esta quarta-feira nos dados sobre a balança de pagamentos.

Isolando apenas junho, o saldo conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se nos 507 milhões de euros, quase 10 vezes mais do que os 54 milhões registados em junho de 2019. Este desempenho do saldo externo em junho permitiu aproximar a curva do défice externo acumulado deste ano à do ano passado, tal como mostra o gráfico do banco central:

Contudo, a melhoria não foi suficiente para que o défice externo acumulado, entre janeiro e junho, não esteja acima dos valores registados no ano passado e em 2018. São 323 milhões de euros a mais, até junho, de desequilíbrio da balança externa de Portugal face 2019.

O saldo verificado até junho resulta dos défices das balanças de bens e de rendimento primário, que foram apenas parcialmente compensados pelos excedentes das balanças de serviços, de rendimento secundário e de capital“, explica o Banco de Portugal. Há vários fatores a ter em conta neste indicador, mas um dos que mais se destaca atualmente é o turismo, cujo excedente nos serviços caiu por causa da crise pandémica.

Os números demonstram isso mesmo: por um lado, o défice da balança de bens diminuiu 1.623 milhões de euros no primeiro semestre, em termos homólogos; por outro lado, o excedente da balança de serviços caiu 3.555 milhões de euros, mais do dobro, o que é explicado maioritariamente pelo decréscimo “acentuado do saldo da rubrica de viagens e turismo (-3.027 milhões). O resultado final é um défice de bens e serviços bem maior do que ano passado.

A contribuir de forma positiva para o saldo externo esteve a balança de rendimento primário, cujo défice baixou em termos homólogos, o que é justificado “pela redução do pagamento de rendimentos de investimento a entidades não residentes”. O saldo da balança de capital também melhorou, beneficiando dos recebimentos de fundos comunitários. No entanto, o excedente da balança de rendimento secundário baixou ligeiramente, “o que ficou a dever-se a um aumento do pagamento de transferências correntes ao exterior”.

Na balança financeira registou-se uma quebra nos ativos líquidos de Portugal face ao exterior no valor de 2.476 milhões de euros, o que é explicado principalmente pelo aumento de “passivos do Banco de Portugal junto do Eurosistema, da redução de ativos das sociedades não financeiras em empréstimos concedidos intra-grupo e em créditos comerciais concedidos, e do investimento de não residentes em títulos de dívida pública portuguesa”. “Em oposição, verificou-se um aumento de ativos dos bancos e das sociedades de seguros sobre entidades não residentes, nomeadamente em títulos de dívida emitidos por países pertencentes à união monetária”, acrescenta o BdP.

(Notícia atualizada às 12h13 com mais informação)

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