Indústria, carros e multibanco. São estes os sinais positivos na recuperação da economia

Em julho, a economia continuou aquém dos níveis anteriores à crise pandémica, mas já foi visível uma recuperação mais intensa. O INE dá destaque à indústria transformadora.

Após uma quebra recorde de 16,3% do PIB no segundo trimestre, a chegada de julho trouxe boas notícias para a recuperação económica de Portugal, com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a identificar uma “redução menos intensa da atividade económica”, em contraste com a “redução intensa” que descrevia os meses anteriores. O terceiro trimestre começa assim num tom positivo, mas de onde chegam esses sinais?

A recuperação da economia é transversal a todos os setores, mas destaca-se a indústria transformadora. Há ainda sinais positivos na venda de carros, nas operações em multibanco e no consumo de eletricidade.

  • Indústria transformadora confiante: Entre os setores, a indústria transformadora é a que mais se destaca na recuperação económica. “O indicador de confiança da indústria transformadora aumentou entre junho e julho, recuperando parcialmente das diminuições observadas nos quatro meses anteriores, que resultaram no mínimo histórico da série atingido em maio”, explica o INE, referindo que a evolução positiva deve-se a todas as componentes (stocks, procura e produção).
  • Venda de carros acelera: “As séries quantitativas disponíveis para julho relativas às vendas de veículos apontam para recuperações significativas face aos três meses anteriores”, assinala o INE, revelando que as vendas de ligeiros já só registam uma queda homóloga de 17,6% (74,8% e 56,3% em maio e junho) e as de comerciais ligeiros de 19,4% (variações de -51,3% e -36,0% em maio e junho).
  • Mais operações no multibanco: De acordo com a informação relativa às operações realizadas na rede multibanco, disponível para julho, o montante global de levantamentos nacionais, de pagamentos de serviços e de compras em terminais TPA apresentou uma diminuição de 9,7% em termos homólogos. Esta representa um abrandamento face à quebra de 14,4% registada em junho, o que sinaliza que há um aumento na circulação de pessoas e dinheiro.
  • Consumo de eletricidade sobe: O consumo médio de eletricidade em dia útil registou uma variação homóloga de -3,4% em julho, o que compara com taxas de -13,2% e -8,7% em maio e junho, respetivamente, outro sinal de que a atividade económica está a retomar.
  • Mais empresas a funcionar: De acordo com o Inquérito Rápido e Excecional às Empresas (COVID-IREE), promovido pelo INE e Banco de Portugal, 99% de empresas estavam em funcionamento na primeira quinzena de julho. Tanto o setor da construção como o do comércio e dos serviços recuperaram nos indicadores de confiança. Contudo, é de assinalar que face à situação que seria expectável sem pandemia, 58% das empresas registaram uma redução do volume de negócios na primeira quinzena de julho.

Por outro lado, o turismo, a confiança dos consumidores e o consumo de gasóleo não recuperaram de forma significativa. Aliás, o desemprego até continua a aumentar.

E o que ainda está mal?

  • Turismo deprimido: A atividade turística manteve forte redução, mas menos intensa devido ao turismo de residentes, tal como já tinha sido revelado pelo INE. Apesar da recuperação através da procura interna, o turismo continua muito aquém dos níveis anteriores, como revela o facto de cerca de 46,3% dos estabelecimentos de alojamento turístico estarem encerrados ou não registarem movimento de hóspedes.
  • Confiança dos consumidores caiu: No caso dos consumidores, o indicador de confiança diminuiu em julho, invertendo da recuperação registada em maio e junho. O mesmo acontece na Zona Euro com a confiança dos consumidores europeus a deteriorar-se em julho, apesar de o indicador de sentimento económico ter continuado a recuperar.
  • Consumo de gasóleo desce: Pode ser um sinal de circunstância, mas a verdade é que os números do INE apontam que o consumo de gasóleo rodoviário e de gasolina registou variações homólogas de -20,0% e -19,5% em julho, respetivamente, após taxas de -14,2% e -17,5% observadas no mês anterior.
  • Desemprego continua a aumentar: Mais claro é o número de desempregados inscritos nos centros de emprego, o qual não para de aumentar. No final de julho, no Continente, havia 382 mil desempregados, mais 38,8% do que no mesmo mês do ano passado. No dia 12 de agosto, o número já ia nos 392,4 mil indivíduos, segundo os dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério de Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

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