Sabia que… Quanto tempo demora a fazer uma vacina? E a da Covid-19?

É a "corrida" mais observada do momento. Com a pandemia a fazer cada vez mais vítimas em todo o mundo, multiplicam-se os esforços por chegar a uma vacina que ajude a travar a doença. Mas quando?

A pandemia de Covid-19 continua a fazer vítimas em todo o mundo, condicionando as nossas vidas e também a economia global. Por isso, é natural que a “corrida” mais observada do momento seja a do desenvolvimento de uma vacina. Mas quanto tempo demora até se chegar a uma?

O processo não foi feito para impacientes. Desenvolver uma vacina é um trabalho que exige recursos e muitos anos de testes. Pode demorar “mais de dez anos” desde a descoberta das potenciais vacinas até à aprovação e chegada das primeiras doses à população, podendo envolver um investimento em torno de 500 milhões de dólares, segundo estimativas do Wellcome Trust, uma instituição filantrópica que financia investigação científica a partir de Londres.

Contudo, com os números da Covid-19 a aumentarem aos milhares dia após dia, o mundo não se pode dar ao luxo de esperar uma década por uma vacina para o novo coronavírus. É por isso que, no caso da vacina para o novo coronavírus, o processo tem sido acelerado ao máximo, uma situação que, de acordo com alguns especialistas, “não tem precedentes”.

Sem precedentes é também o valor do financiamento em investigação e desenvolvimento sobre a vacina da Covid-19, que rondará os dez mil milhões de dólares, ainda que existam pedidos para que se aumente este valor em até dez vezes. É o caso da Organização Mundial da Saúde, que avisou recentemente que faltam 90 mil milhões de dólares de financiamento para este processo.

Algumas potenciais vacinas já estão em fase avançada de testes, como é o caso da potencial vacina da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca. Mas ninguém sabe ao certo quanto tempo levará até existir uma vacina devidamente testada e certificada contra a Covid-19. Alguns responsáveis da OMS têm apontado para a segunda metade de 2021 como o período mais provável em que surgirá uma vacina. A confirmar-se, seria um recorde.

Os primeiros testes em humanos arrancaram em março, praticamente na altura em que a pandemia começou a acelerar na Europa, já por si só algo nunca visto em tão pouco tempo. Se a vacina para a Covid-19 chegar mesmo na segunda metade de 2021, o seu desenvolvimento terá durado pouco mais de um ano.

Passo a passo até à vacina

  • Fase de investigação fundamental. Os cientistas estudam o vírus e procuram formas de o neutralizar. Segundo o Wellcome Trust, desta fase podem resultar até 100 potenciais vacinas e o processo normal dura entre dois e cinco anos.
  • Ensaios pré-clínicos. As potenciais vacinas são sujeitas a testes in vitro e in vivo, ou seja, testes em laboratório e testes em animais como ratinhos. Nesta fase poderão passar cerca de 20 das 100 potenciais vacinas descobertas inicialmente, num processo que, normalmente, pode durar dois anos.
  • Ensaios clínicos – fase I. As potenciais vacinas são submetidas a testes num grupo restrito de humanos. O objetivo é apurar se funciona e se é minimamente segura. Por norma, esta fase pode durar entre um a dois anos e resulta na seleção de dez potenciais vacinas.
  • Ensaios clínicos – fase II. Esta fase estuda se as potenciais vacinas produzem uma resposta imunitária adequada no organismo dos humanos, protegendo-os do vírus em análise. O número de humanos envolvido é maior do que na fase II, mas ainda assim restrito. São ainda estudados os efeitos secundários das vacinas e é tida especial atenção à segurança, podendo demorar dois a três anos e, daí, resultar a seleção de cinco potenciais vacinas, segundo o Wellcome Trust.
  • Ensaios clínicos – fase III. É a fase final de testes em humanos, envolvendo um número muito mais alargado de voluntários. O objetivo é aferir se a vacina protege realmente do vírus que se quer combater, resultando, desse trabalho, uma única potencial vacina. Esta fase pode demorar entre dois a quatro anos num processo de investigação normal.
  • Aprovação regulatória. Se os estudos científicos mostrarem que a vacina é eficaz e produz uma resposta adequada, os reguladores pesam então os benefícios e os riscos e, eventualmente, emitem a aprovação à vacina.
  • Produção industrial. A vacina é, então, produzida em quantidades industriais e distribuída pelas comunidades que dela mais precisam.

Contas feitas, chegar a uma vacina pode demorar dez anos, segundo os cálculos do referido instituto. No entanto, no caso da vacina para a Covid-19, há diversas candidatas nos mais variados estados. Em simultâneo, e mesmo sem a aprovação, algumas das potenciais vacinas contra o novo coronavírus estão já ser produzidas e adquiridas em quantidades industriais.

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