Jackson Hole à distância para banqueiros responderem à pandemia

A 44.ª edição de Jackson Hole será a primeira em modo virtual por causa da pandemia. A conferência costuma ser utilizada pelos responsáveis da política monetária para sinalizar mudanças importantes.

Num ano em que a política monetária voltou a intervir em larga escala a nível mundial, alguns dos principais responsáveis dos bancos centrais irão falar esta quinta e sexta-feira na conferência anual de Jackson Hole organizada pela Reserva Federal norte-americana. Mas também aqui a pandemia fez estragos, obrigando o evento a tornar-se virtual com uma emissão em livestream. Jerome Powell, presidente da Fed, é o orador mais aguardado, mas Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), e o governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, também irão marcar presença.

Desde 1982 que no final de agosto as mentes por detrás da política monetária das maiores economias reúnem-se fisicamente em Jackson Hole, uma localidade no estado norte-americano do Wyoming. Este ano será diferente com a conferência a realizar-se à distância numa altura em que os bancos centrais avançaram com estímulos sem precedentes, “inundando” a economia — e os mercados financeiros — com liquidez e crédito.

A crise pandémica levou a política monetária a ficar ainda com menos margem de manobra, nomeadamente por causa de os juros já estarem em mínimos históricos. Esta edição ganha, por isso, importância pelos vários dilemas que os bancos centrais enfrentam. Tanto a Reserva Federal norte-americana como o Banco Central Europeu (BCE) estão a fazer uma revisão estratégica, sendo expectável que Powell dê pistas sobre que mudanças poderão avançar na Fed, cuja revisão deverá estar concluída no próximo mês.

A baixa inflação face ao objetivo inscrito no mandato dos bancos centrais, que já era notória antes da crise, veio tornar-se um problema ainda mais expressivo por causa da pandemia. Com a política monetária sobre pressão, os responsáveis dos bancos centrais, além de quererem rever a sua estratégia, estão a pressionar os Governos a gastar mais, dando uso à política orçamental numa altura em que é reduzida a fatura de juros que pagam pela dívida que contraem. “A pandemia mudou dramaticamente as perspetivas de curto prazo e levou a respostas monetárias e orçamentais sem precedentes”, escreve a Fed de Kansas City na descrição do evento.

Ainda que o futuro seja sempre incerto, é expectável que o crescimento lento e as taxas de juro baixas persistam“, admite a organizadora do evento. Já no ano passado, em Jackson Hole, Jerome Powell descrevia o “novo normal” da política monetária e da economia mundial: baixo crescimento, baixa inflação e baixas taxas de juro. Este é um ambiente que chegou ao Japão já há décadas, marcou a recuperação da Zona Euro após a crise financeira e afeta agora também os Estados Unidos. Não é por isso de estranhar que o tema da edição deste ano seja “Navegar a Próxima Década: Implicações para a Política Monetária”.

Independentemente dos dilemas que enfrentam no longo prazo, os investidores esperam que tanto a Fed como o BCE avancem com mais estímulos à economia no curto prazo, até ao final do ano, principalmente se houver uma clara segunda vaga de infeções que obrigue a um confinamento mais apertado próximo do de março, nomeadamente através de mais aquisições de dívida pública. A expectativa é que Powell dê pistas sobre os próximos passos, assim como Philip Lane, economista-chefe do BCE, e o governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey.

Esta será a primeira aparição pública de Jerome Powell desde a reunião de política monetária no final de julho em que a Fed manteve os juros, alertando para um cenário mais pessimista quanto à recuperação da economia. No caso do BCE, a última reunião realizou-se a 16 de julho, tendo o mesmo resultado: tudo igual, para já, com um sinal de que a “bazuca” de Frankfurt possa ser encurtada dada a recuperação dos mercados financeiros e da economia europeia.

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