Rendimento dos trabalhadores caiu 10,7% a nível global até setembro

Os efeitos da pandemia levaram muitas empresas a fechar ou a enfrentar restrições. Os trabalhadores sofreram assim um corte nos salários, que foi mais expressivo nos países de rendimentos médios.

A queda global nos rendimentos dos trabalhadores nos primeiros nove meses do ano, face ao mesmo período de 2019, atingiu os 10,7%, de acordo com as estimativas do mais recente relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esta perda nos salários, durante a pandemia, corresponde a cerca de 3,5 biliões de dólares (2,96 biliões de euros).

Nestas estimativas, que não têm ainda em conta todas as medidas de apoio aos rendimentos implementadas pelos governos, a OIT sublinha ainda que o montante perdido é o equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) global, neste relatório que analisa o impacto da pandemia de Covid-19 no mundo do trabalho.

As perdas nos rendimentos são mais expressivas em países de rendimentos médios, nota a organização. As quebras nos salários dos trabalhadores chegam a fixar-se nos 15,1% em países de médio baixo rendimento, nos primeiros três trimestres do ano, e nos 11,4% em países de rendimentos médio altos.

Esta perda de rendimentos é o resultado de uma quebra nas horas trabalhadas um pouco por todo o mundo, com a implementação de medidas de restrição para impedir a propagação do vírus. Esta quebra foi revista em alta para o segundo trimestre, totalizando agora os 17,3% face ao último trimestre de 2019. Já para o terceiro trimestre, a OIT estima que as perdas nas horas de trabalho se vão manter altas, rondando os 12,1%.

Já para o quarto e último trimestre do ano, que será ainda afetado pelo coronavírus em muitos casos numa segunda vaga, a organização desenhou três cenários para as previsões. No cenário de referência, as perdas globais de horas de trabalho devem chegar a 8,6% no quarto trimestre de 2020, o que é equivalente a 245 milhões de empregos em tempo integral.

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