Cidadãos consideram que debate não atingiu objetivo de atrair eleitores indecisos

  • Lusa
  • 30 Setembro 2020

"É inédito este nível de desrespeito das regras, por parte de qualquer candidato em qualquer ciclo eleitoral anterior", diz um especialista em debates dos EUA.

Cidadãos norte-americanos consideraram esta quarta-feira que o debate entre Donald Trump e Joe Biden não terá aumentado significativamente o apoio para nenhum dos candidatos, não atingindo o principal objetivo da disputa.

O objetivo central dos debates televisivos é que os eleitores indecisos nos Estados Unidos (EUA), que constituem apenas cerca de 5% do eleitorado, mas que são o principal alvo das campanhas, possam formar opiniões mais fortes e apoio a uma das candidaturas. Para alguns cidadãos que visualizaram o debate em casa, porém, isso não terá acontecido, devido às frequentes interrupções entre os dois oponentes.

“Isto deixará os eleitores indecisos mais confusos ainda, porque ambos estão a agir como crianças”, escreveu Patricia, numa das muitas reuniões virtuais que se organizaram na noite passada, em substituição de eventos presenciais em locais públicos para se ver o debate. A resposta foi rápida de um outro participante que escreveu: “Dois homens brancos, velhos e privilegiados… o que esperávamos?”.

O especialista em debates David Birdsell, reitor da Escola de assuntos públicos e internacionais da universidade Baruch College, disse durante o debate que “é inédito este nível de desrespeito das regras, por parte de qualquer candidato em qualquer ciclo eleitoral anterior”.

As bases de apoiantes continuam a ser iguais e da mesma dimensão, argumentaram os docentes da mesma universidade Douglas Muzzio e Eric Gadner, que estimou que só Biden terá sido capaz de “marginalmente” aumentar o seu apoio. O facto de Donald Trump e Joe Biden se interromperem um ao outro foi desprezado por muitos espetadores, alguns descrevendo o debate no final como “uma discussão entre dois adolescentes”.

De opinião um pouco diferente foi Douglas Muzzio, que considerou ter ficado com uma compreensão mais profunda do caráter de cada um dos candidatos e Allison Hahn, que gostou de ver “o que acontece quando a pressão está em cima” de cada um. Os eventos virtuais organizados por diversas entidades na noite passada consistiram em declarações iniciais dos apresentadores e a transmissão, em partilha de ecrã, do debate, com a caixa de comentários a ficar preenchida.

“Vergonhoso” foi uma palavra repetida em muitas opiniões dos participantes, com Riley, um dos participantes, a questionar “o quão absurdo deve parecer tudo isto à liderança mundial que assiste ao redor do globo”. Para o professor e autor Don Waisanen “a linha entre a observação de sondagens credíveis e a intimidação dos eleitores é ténue”.

Henry, outro dos participantes, disse que “Biden foi coerente”, uma das características que iam ser mais observadas durante o primeiro debate presidencial, depois de Donald Trump acusar repetidamente que o “sonolento” oponente ia precisar de medicamentos para estar atento. Douglas Muzzio interveio mais uma vez no diálogo público considerando que “é difícil ser coerente quando estás a ser sempre interrompido” e refletindo que Trump foi “o mais rude e inculto”. A estudante Deborah lamentou a falta de representatividade nos assuntos discutidos e disse que “foi oferecido aos jovens desta noite um debate pobre”.

Os temas enfatizados no debate foram o Supremo Tribunal de Justiça, questões relacionadas com o clima, impostos, economia, prestação de cuidados de saúde, transparência do voto por correio, entre outros. Donald Trump e Joe Biden voltam a encontrar-se frente a frente em debates televisivos a 15 e 22 de outubro, antes das eleições nos Estados Unidos marcadas para 3 de novembro.

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