“Ubers” estão em recuperação após “grandes quebras” da pandemia

  • Lusa
  • 9 Outubro 2020

O negócio das plataformas de TVDE está em fase de recuperação, depois das "grandes quebras" que chegaram a 90% durante o confinamento. Retoma está a ser mais fácil em Lisboa do que no Algarve.

Os operadores de plataformas TVDE (transporte individual e remunerado de passageiros em veículo descaracterizado) sofreram grandes quebras de serviço com a pandemia de Covid-19, encontrando-se atualmente em fase de recuperação.

Numa ronda pelas três operadoras atualmente a trabalhar em Portugal — Bolt, Uber e Free Now –, todas referiram que, durante o confinamento e sensivelmente até junho, houve um “forte bloqueio à mobilidade nas cidades”, pelo que houve uma queda significativa nos serviços prestados.

“Sentimos uma queda enorme ao nível do negócio, a rondar os 90%. Contudo, em junho começámos a recuperar rapidamente e, neste momento, estamos já com a operação a decorrer a níveis acima do que estava a acontecer em fevereiro”, disse o responsável da Bolt em Portugal, David Ferreira da Silva.

Apesar de a plataforma ter sofrido inicialmente uma “redução significativa do número de motoristas”, recuperou o número de profissionais associados que tinha ativos em fevereiro: “O que é um sinal muito positivo de que as coisas estão de facto a melhorar”, afirmou. Também no número de operadores (empresas, que podem corresponder a um ou a vários motoristas) não foi sentida uma “diminuição significativa”.

Embora sem avançar com números de viagens, o responsável da Bolt referiu que estes já são “semelhantes” aos de antes da pandemia.

Já tendo em conta a recuperação, David Ferreira da Silva explicou que as tendências “têm sido semelhantes em todo o país, exceto no Algarve”, que nesta altura “está fortemente dependente do turismo e das atividades noturnas”.

Também a Uber, a primeira operadora de transporte individual a partir de plataforma eletrónica a operar em Portugal, referiu que com o “gradual desconfinamento do país tem havido uma recuperação”.

“A mobilidade tem uma grande correlação com o dinamismo económico do país e, infelizmente, ainda estamos a atravessar uma crise pronunciada. No entanto, sentimos que muitos portugueses estão a olhar para o TVDE como uma alternativa segura para se deslocarem e uma alternativa ao transporte individual”, sublinhou o diretor-geral da Uber em Portugal, Manuel Pina.

Reconhecendo que o serviço prestado pela plataforma tem “naturalmente maior adesão nas zonas urbanas”, Manuel Pina lembrou que após a expansão dos serviços para todo o território nacional em julho “já foram realizadas viagens TVDE em 17 dos 18 distritos” do continente português.

Em relação ao número de viagens realizadas antes da pandemia e depois do confinamento, o responsável referiu que a operadora (também com serviço de distribuição de comida) “não comenta o impacto da Covid-19 no negócio em nenhum mercado em específico”. A nível global, acrescentou, “o impacto foi de 73% no negócio equivalente ao TVDE”.

Em junho deste ano surgiu a plataforma de mobilidade Free Now, criada a partir da MyTaxi (serviço de transporte em táxis através de uma aplicação de telemóvel) e que integra também os TVDE da Kapten (marca que começou a sua atividade em Portugal como Chauffer Privé).

À Lusa, o diretor-geral da Free Now para Portugal, Sérgio Pereira, reconheceu que a operadora teve “uma razoável apresentação ao mercado”, ainda que, “naturalmente, abaixo do que era expectável”, devido à Covid-19.

Para essa razoabilidade, considerou, contribuíram “a herança e o know-how do mercado” que vieram de ambas as marcas que compõem agora a Free Now.

De acordo com Sérgio Pereira, em geral, a queda do número de viagens na plataforma foi “sensivelmente de 70% no pico da pandemia e atualmente de menos 30% em comparação com 2019”. “Em média estamos com menos 50% no segundo e terceiro trimestre de 2020 comparativamente com o ano passado”, exemplificou.

Pelo facto de ser uma aplicação que junta táxis e TVDE, Sérgio Pereira reconhece ser “expectável que quanto maior for a oferta mais facilmente chega a um número mais elevado de clientes e, ao ser mais completa, mais apelativa será”.

“Temos clientes que preferem TVDE e outros que continuam a preferir o táxi. A Free Now, enquanto plataforma que reúne vários tipos de serviços na mesma aplicação, tem um espetro de atuação mais amplo”, sublinhou.

Lisboa recupera melhor do que o Algarve

António Fernandes, do Sindicato Motoristas TVDE de Portugal, referiu que o setor está a assistir a uma recuperação que “é mais lenta numas zonas e noutras mais rápida”.

“A atividade económica não está como antes da pandemia, as nossas faturações ainda não chegam lá. Em Lisboa, por exemplo, está a ser mais fácil recuperar do que no Algarve, que entrou agora em época baixa, estão com mais dificuldades em recuperar”, adiantou.

Reconhecendo que “uma grande maioria parou durante a pandemia”, António Fernandes avançou que alguns motoristas “acabaram mesmo por abandonar e não estão em atividade”, enquanto outros conseguiram “aguentar-se com o apoio que o Estado disponibilizou”.

De acordo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, encontram-se licenciados dez operadores de plataformas de TVDE, o que não implica que estejam todos em atividade. Segundo os dados até 30 de setembro deste ano, estavam igualmente licenciados 8.021 operadores de TVDE e certificados 26.971 motoristas.

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