As histórias que marcaram o GP de Portugal

  • Jorge Girão
  • 20 Outubro 2020

Prova rainha do desporto automóvel teve início em 1950. Chegou a Portugal em 1958, mas só acelerou no Estoril em 1984. Agora que está de volta, recorde algumas das histórias da F1 em terras lusas.

Na semana do regresso da Fórmula 1 ao nosso país, resolvemos realizar uma viagem ao longo da história do Grande Prémio de Portugal e são diversas as histórias para contar.

O campeonato da categoria máxima do desporto automóvel teve o seu início em 1950 e não foi preciso esperar muito para que os adeptos portugueses tivessem a possibilidade de ver ao vivo os monolugares mais rápidos do mundo.

A primeira prova realizada em solo luso a contar para o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 foi realizado no já longínquo ano de 1958, tendo como cenário o Circuito da Boavista, então com mais de sete quilómetros ao longo das mais nobres ruas do Porto.

Stirling Moss foi o primeiro vencedor de uma corrida de Fórmula 1 em solo português, dominando aos comandos de um elegante Vanwall VW5, capaz de debitar 252 cv a partir do seu motor de quatro cilindros em linha de 2,5 litros de cilindrada.

A primeira edição da prova portuguesa ficou ainda marcada pelo gesto nobre de Moss na volta de desaceleração, que evitou que o diligente público português ajudasse o seu conterrâneo e rival na luta pelo título, Mike Hawthorn. O inglês parara em pista e, se fosse auxiliado ao colocar o seu monolugar em funcionamento, seria desclassificado, o que foi evitado por Moss, ao situar o seu Vanwall entre o Ferrari e os adeptos lusos.

O piloto da “Scuderia” acabava assim classificado no segundo lugar, o que seria determinante para que se sagrasse mais tarde Campeão Mundial à custa de Moss.

O inglês voltaria a vencer no ano seguinte aos comandos de um Cooper Climax, mas agora no traçado de Monsanto, em Lisboa, com 5,440 quilómetros de perímetro, única que vez que albergou um Grande Prémio de Fórmula 1.

Em 1960 o grande circo voltaria à Boavista, tendo Jack Brabham vencido e assegurado o seu segundo título mundial, aos comandos de um Cooper Climax, o primeiro carro de Fórmula 1 com o motor colocado nas costas do piloto e que obrigaria a uma revolução na categoria máxima do desporto automóvel.

A Fórmula 1 estaria 24 anos sem visitar o nosso país, assentando arraiais no Autódromo do Estoril em meados de outubro de 1984.

Neste espaço de tempo, as potências passaram de uns singelos duzentos e muitos cavalos para uns impressionantes 1.300 cv em qualificação e mais de 800 cv em modo de corrida, extraídos de pequenos motores 1.500 cc turbocomprimidos.

Os carros eram também alvo de profunda evolução, passando a aerodinâmica a ser uma preocupação prioritária dos engenheiros, que conseguiam gerar forças descendentes sobre os monolugares superiores ao peso destes devido gestão da sua deslocação através do ar.

Então, o Estoril era a última prova da temporada e a pista gizada por Fernanda Pires da Silva foi o palco da decisão do título com Alain Prost e Niki Lauda como protagonistas, ambos em McLaren TAG.

O francês venceu o primeiro Grande Prémio de Portugal da era moderna, mas perdia o ceptro para Niki Lauda por meio ponto – a mais curta distância que decidiu um Campeonato de Pilotos, recorde que hoje ainda vigora.

Em 1985 a pista lusa ficou intimamente ligada a Ayrton Senna, que venceu o seu primeiro Grande Prémio de Fórmula 1 no Estoril sob uma chuva dantesca aos comandos do icónico Lotus 97T Renault com as cores da JPS. O brasileiro parecia ter um asfalto mais seco apenas para ele e cilindrou a oposição, deixando Michele Alboreto, em Ferrari, a mais de um minuto, ao passo que todos os outros perdiam, pelo menos uma volta.

Em 1987 Alain Prost voltaria a vencer, aos comandos de um McLaren TAG conquistando a sua vigésima oitava vitória. Este era um feito para época, uma vez que o francês ultrapassava Jackie Stewart, o recordista na lista dos pilotos com mais triunfos na Fórmula 1.

O gaulês é o piloto mais bem-sucedido na prova lusa juntamente com Nigel Mansell, três vitórias cada um, mas o inglês teve também momentos conturbados no circuito português.

Em 1989 falhou as boxes da Ferrari e colocou a marcha-atrás, o que é proibido na via das boxes. O inglês foi desclassificado, mas nunca viu a bandeira preta, ou disse nunca ter visto, acabando por se envolver num acidente com Ayrton Senna, quando tentava passar para segundo, lançando ambos para a escapatória da Curva 1 e para o abandono.

 

Em 1991, já na Williams Renault, quando tentava recuperar terreno na luta pelo Campeonato de Pilotos com Senna, Mansell liderava confortavelmente a prova, mas na troca de pneus a roda traseira direita ficou mal apertada, soltando-se ainda na via das boxes.

Os mecânicos da formação inglesa acorreram ao inglês, montando uma roda, mas ao fazê-lo na via das boxes, o que era proibido, levaram a que Mansell fosse desclassificado uma vez mais.

Ainda assim, a formação de Frank Williams é a mais bem-sucedida na prova portuguesa com seis triunfos, e muito embora não tenha vencido em 1993, via Prost a ficar em segundo no seu Williams Renault, no encalço de Michael Schumacher, garantindo o seu quarto e último título mundial.

Jacques Villeneuve, também em Williams Renault, triunfou na última edição do Grande Prémio de Portugal, em 1996, assinando pelo caminho uma ultrapassagem por fora de cortar a respiração ao Ferrari de Schumacher na rapidíssima e seletiva Parabólica.

Este triunfo permitiu-lhe manter as suas possibilidades de conquistar o título vivas, mas acabaria por perdê-lo para o seu colega de equipa, Damon Hill, no Grande Prémio seguinte.

Haverá outras histórias que marcaram indelevelmente o Grande Prémio de Portugal, mas estas são as que ainda hoje se recordam mal se houve o nome da prova do nosso país. Espera-se agora que o Autódromo Internacional do Algarve pegue no testemunho e continue a contribuir para que Portugal marque a letras de ouro as páginas do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 e crie a sua própria história no mundo dos Grandes Prémios – o primeiro episódio é já no próximo fim de semana.

Lista de vencedores do GP de Portugal:

  • 1958 Boavista – Stirling Moss – Vanwall
  • 1959 Monsanto – Stirling Moss – Cooper Climax
  • 1960 Boavista – Jack Brabham – Cooper Climax
  • 1984 Estoril – Alain Prost – McLaren TAG
  • 1985 Estoril – Ayrton Senna – Lotus Renault
  • 1986 Estoril – Nigel Mansell Williams Honda
  • 1987 Estoril – Alain Prost – McLaren TAG
  • 1988 Estoril – Alain Prost – McLaren Honda
  • 1989 Estoril – Gerhard Berger – Ferrari
  • 1990 Estoril – Nigel Mansell – Ferrari
  • 1991 Estoril – Ricardo Patrese – Williams Renault
  • 1992 Estoril – Nigel Mansell – Williams Renault
  • 1993 Estoril – Michael Schumacher – Benetton Ford
  • 1994 Estoril – Damon Hill – Williams Renault
  • 1995 Estoril – David Coulthard – Williams Renault
  • 1996 Estoril – Jacques Villeneuve – Williams Renault

Pilotos mais vitoriosos:

  • Alain Prost 3
  • Nigel Mansell 3
  • Stirling Moss 2
  • Jack Brabham 1
  • Ayrton Senna 1
  • Gerhard Berger 1
  • Ricardo Patrese 1
  • Michael Schumacher 1
  • Damon Hill 1
  • David Coulthard 1
  • Jacques Villeneuve 1

Equipas mais vitoriosas:

  • Williams 6
  • McLaren 3
  • Cooper 2
  • Ferrari 2
  • Vanwall 1
  • Lotus 1
  • Benetton 1

Motores mais vitoriosos:

  • Renault 6
  • Climax 2
  • TAG 2
  • Honda 2
  • Ferrari 2
  • Vanwall 1
  • Ford 1

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