Bruxelas usa Airbnb para medir fraco pulso do turismo em Portugal

Portugal foi o 9.º país da União Europeia onde a atividade turística mais caiu devido à pandemia. As projeções para 2020 não são animadoras.

Muita da atividade económica que foi — e continua a estar — interrompida pelo coronavírus está no turismo. Desde início que se previu que este ia ser um dos setores mais afetados e os números falam por si. Cinco meses depois de a pandemia ter eclodido, a Comissão Europeia fez um balanço dos impactos no turismo e, para isso, analisou as viagens, as reservas e até as avaliações feitas no Airbnb.

“Apesar do regresso à normalidade no verão, quando as restrições (…) foram atenuadas”, os dados mostram que “o setor de turismo teve apenas uma recuperação limitada”, diz Bruxelas, nas previsões económicas de outono. E, com o aparecimento de uma segunda vaga e a implementação de novas restrições, a atividade das empresas turísticas vai ser “novamente” e “fortemente” prejudicada.

Uma das formas de mostrar como a pandemia afetou o turismo é através da atividade do Airbnb. Em abril, na União Europeia (UE), o número de reviews — que traduz o número de viagens — feito pelos hóspedes cumpriu apenas 4% do que era esperado, com base nos dados do ano passado. Em agosto, com o verão, houve uma recuperação e este indicador já alcançou 70% do que seria esperado.

Contudo, em setembro, com o aumento dos casos de infeção, as viagens voltaram a cair e conseguiram alcançar apenas 45% do que seria esperado na UE. Ou seja, contas feitas, entre janeiro e setembro, as viagens feitas pelos utilizadores do Airbnb ficaram a cerca de metade do que seria esperado.

Numa análise mais fina, a Comissão Europeia destaca oito países onde os números de janeiro a setembro ficaram bastante abaixo do que seria esperado. Aqui, para além da Grécia, Irlanda, Itália, Croácia, Hungria, Malta e Eslovénia, está também Portugal, onde as viagens ficaram mais de 65% abaixo dos níveis do ano passado, “o que mostra um golpe severo no setor”, diz Bruxelas.

Por outro lado, na Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Lituânia e Suécia, as viagens ficaram apenas entre 30% a 40% abaixo dos níveis do ano passado, o que “reflete, principalmente, o período de confinamento da primavera, enquanto a atividade económica no verão esteve muito mais perto do normal”, refere a Comissão Europeia.

Portugal foi o 9.º país com maior quebra do turismo

No mesmo documento, Bruxelas analisa ainda as noites passadas nos estabelecimentos turísticos dos vários países. Em toda a UE, o número de noites passadas diminuiu cerca de 55%, em média, entre janeiro e setembro, comparando com o mesmo período de 2019. No total, foram 1.260 noites. Assim, para a totalidade de 2020, a Comissão estima uma perda de 44% a 55% nas noites dormidas em toda a UE.

Já para Portugal, o cenário é menos positivo. Entre janeiro e setembro, as dormidas em território nacional caíram 56% para um total de 27 milhões de noites. E, para a totalidade de 2020, é esperada uma descida entre os 52% e os 67% nas dormidas.

Portugal aparece, assim, como o 9.º país com a maior quebra de atividade turística devido à pandemia, atrás da Grécia, Malta, Eslovénia, Irlanda, Chipre, Espanha, Croácia e Luxemburgo.

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