Perda do produto potencial da Zona Euro pode ser de 3% em 2022

  • ECO e Lusa
  • 10 Novembro 2020

"Mesmo que o crescimento potencial retorne rapidamente a níveis pré-crise, o nível do PIB potencial seria afetado por mais tempo", pode ler-se num dos artigos publicados no Boletim Económico do BCE.

A perda do produto potencial na Zona Euro poderá atingir os 3% no final de 2022, de acordo com um estudo divulgado esta terça-feira pelo Banco Central Europeu (BCE).

“No total, a perda no nível de produto potencial chegaria a cerca de 3% no final de 2022. Mesmo que o crescimento potencial retorne bastante cedo a níveis pré-crise, o nível de produto potencial seria afetado por mais tempo”, pode ler-se num dos artigos publicados no Boletim Económico do BCE.

A projeção, baseada num modelo de componentes não-observadas (UCM), está ainda assim “sujeita a incerteza considerável”. De acordo com o modelo, “a contribuição do trabalho é fundamental para as mudanças no produto potencial”, estimando que a taxa de desemprego e as horas trabalhadas são as mais afetadas pela crise atual, causada pela pandemia de Covid-19.

“No entanto, este efeito poderá ser mitigado por esquemas de trabalho temporário, que não são totalmente capturados pelo UCM. A tendência média de horas trabalhadas pesará no crescimento potencial até ao fim de 2021, antes de ter um efeito positivo em 2022″, pode ler-se no documento.

O artigo do Boletim Económico do BCE aponta ainda que “o stock de capital contribuiria para a revisão em baixa do crescimento potencial, ligado à descida do investimento”.

Relativamente aos efeitos da pandemia, o artigo antecipa que a curto prazo “a amplitude da flutuação depende significativamente de como se assume que as medidas de contenção afetem o produto potencial”. “A longo prazo, depende de quanto tempo a pandemia durar e de quanto as medidas de política protejam a economia de ‘cicatrizes’ excessivas, entre outros fatores”, conclui o artigo.

O BCE antecipa ainda que a pandemia “deverá induzir algumas mudanças estruturais na economia da Zona Euro e as políticas económicas vão jogar um papel fulcral na facilitação desta mudança”.

Maior desafio da pandemia à integração financeira do euro foi no início

O maior desafio à integração financeira da Zona Euro durante a pandemia de Covid-19 ocorreu na fase inicial do surto, de acordo com o mesmo estudo.

“Os indicadores mostram que o desafio mais significativo para a resiliência da integração financeira na Zona Euro aconteceu nas fases iniciais da crise da Covid-19”, pode ler-se no artigo.

Segundo o estudo, o crescimento da crise foi “especialmente severo em termos de desenvolvimentos de fragmentação antes do anúncio do PEPP [Programa de Compras de Emergência Pandémica”, anunciado pelo BCE. “Posteriormente, sinais sustentados de reintegração financeira emergiram à medida que foram feitos progressos numa resposta orçamental europeia conjunta, destacando os efeitos poderosos da coordenação de política monetária e orçamental”, refere o artigo.

Segundo o documento, “o indicador compósito da integração financeira mostra uma ‘tormenta’ em abril de 2020 -, mas a meio de agosto de 2020 ultrapassa os níveis vistos anteriormente à crise do coronavírus”.

De resto, o estudo mostra um gráfico com o indicador de stress sistémico, em que o pico de abril de 2020 supera o referendo do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) e a crise do subprime, mas abaixo dos picos durante a crise das dívidas soberanas e da falência do Lehman Brothers, o maior pico identificado. “No entanto, a reintegração não é observada em todos os segmentos de mercado; nem todos os países da Zona Euro beneficiam dela ao mesmo nível”, pode ler-se no estudo.

O artigo do BCE aponta também que “os mercados monetários têm sido um forte contribuidor para a retoma da integração financeira baseada em preços para os níveis do início de 2020″. “Para os mercados de obrigações de soberanos e empresariais, a tendência de reintegração estabilizou até agosto de 2020”, segundo o estudo do BCE.

Já a integração dos mercados de capitais “demonstra caminhos divergentes entre os países e aumentou ligeiramente comparando com julho de 2020, mas permanece perto dos níveis pré-crise”.

“Atualmente, a reintegração dos mercados financeiros da Zona Euro ainda é frágil e desequilibrada, e o regresso gradual à situação antes do surto de Covid-19 depende do montante sem precedentes de estímulos monetários e orçamentais implementados”, conclui o artigo, que sinaliza a possibilidade de novas ondas de infeção e novos confinamentos.

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