Ljubomir responde a Siza Vieira. “Não sentir ansiedade é não ter noção da realidade”

Chef do 100 Maneiras responde às críticas do ministro da Economia. Confirma ao ECO que está "ansioso" tal como milhares de outras pessoas ligadas ao setor da restauração, que reivindica mais apoios.

Só quem não tem “noção da realidade” que o país enfrenta é que se pode dar ao “luxo” de não estar ansioso com a situação do país. É assim que o Ljubomir Stanisic responde ao ministro Pedro Siza Vieira, que diz que o chef de cozinha — que foi a voz das reivindicações do setor numa manifestação este fim de semana — fez muitas propostas no passado, “sempre de forma muito ansiosa”.

Depois do protesto da restauração, em que o Ljubomir Stanisic esteve aos comandos a pedir isenção da TSU e redução do IVA, o ministro argumentou que o chef mantém a atividade devido às “respostas que o Governo foi dando” ao setor. E criticou a forma como o chef do 100 Maneiras tem exposto as suas propostas.

“[Ljubomir] já fez muitas propostas no passado, sempre de forma muito ansiosa. Acho que ainda continua em atividade porque as respostas que o Governo foi dando permitiram ao setor, perante um contexto adverso, tentar preservar o indispensável quando a procura retomar“, disse o ministro da Economia esta terça-feira, numa entrevista ao Polígrafo SIC.

Ljubomir não o nega. Pelo contrário, diz ao ECO que está ansioso e argumento que o sentimento é justificado pelas dificuldades que os restaurantes estão a viver. “Se pareço ansioso, é porque provavelmente o estou, de facto”, confirma. O país atravessa uma “situação” que lhe “provoca ansiedade”, assim como a “milhares de pessoas”, mas que provoca também “fome, pobreza extrema, depressão e, no limite, suicídio”. “Não sentir ansiedade neste momento é não ter noção da realidade ou, se calhar, é um luxo a que só se podem dar aqueles que não têm empregados a seu cargo e têm a certeza de um salário no final do mês”, remata.

"Se pareço ansioso, é porque provavelmente o estou, de facto. Não sentir ansiedade neste momento é não ter noção da realidade ou, se calhar, é um luxo a que só se podem dar aqueles que não têm empregados a seu cargo e têm a certeza de um salário no final do mês.”

Ljubomir Stanisic

Chef do 100 Maneiras

Em março, o chef tinha 86 funcionários, um número que passou para apenas 60 trabalhadores atualmente. Além disso, sublinha ter “fundos de maneio cada vez mais delapidados” devido à quebra na atividade. “Vejo os créditos que o banco me deu — o banco, não o Estado, e que estou a pagar a 100% e com juros — chegar ao fim”, sublinha.

Quanto a expor as suas ideias, o empresário promete igualmente não ficar por aqui. “Já fiz muitas propostas e continuarei a fazê-las sempre que me parecer necessário, até porque é um direito que tenho enquanto cidadão de um estado democrático e com liberdade de expressão, um cidadão que paga impostos e cumpre com todas as suas obrigações”, acrescenta.

No fim de semana, o chef deu a cara pelos protestos dos restaurantes, pedindo mais apoios, naquele que foi o primeiro de dois fins de semana de confinamento, em que os estabelecimentos tinham de encerrar às 13h e, a partir daí, funcionar apenas em regime de take-away. O Governo anunciou que iria cobrir 20% das perdas, mas o setor considera insuficiente.

Entre as muitas medidas pedidas pelos restaurantes destacam-se apoios financeiros a fundo perdido, reposição do horário de funcionamento, isenção da TSU até final de junho de 2021, apoio ao pagamento das rendas, redução da taxa de IVA até final de 2021. “Não estou a dizer que sim, nem que não [às ideias de Ljubomir]. Estou a dizer que tivemos um grande cuidado em acompanhar um esforço deste setor”, disse Siza Vieira, sublinhando os 750 milhões de euros a fundo perdido que serão entregues à restauração e ao alojamento.

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