Meo limita tráfego de dados fixos sem custos adicionais. O que dá para fazer com 500 GB?

O pacote base de 3P da Meo prevê um limite de tráfego fixo de dados de 500 GB sem custo adicional, apontou a Anacom. O que dá para fazer com este limite em tempos de pandemia?

O que faria com meio milhar de gigabytes? Se for cliente da Meo e tiver contratado recentemente o pacote base de triple play da empresa, este número deve estar na sua mente. Trata-se do limite de tráfego de dados fixos imposto pela operadora aos novos e alguns dos atuais clientes deste pacote, notou a Anacom na segunda-feira.

Num comunicado onde dá conta do aumento das mensalidades do serviço “3P” em um euro pela Meo, Nos e Vodafone, o regulador aponta ainda que “dois dos prestadores, Meo e Nos, impuseram igualmente limites mensais de tráfego de dados fixos (500 GB e 600 GB, respetivamente)”. Segundo a Anacom, a Nos “retirou entretanto” esse limite.

Mas o ECO confirmou no site da Meo que, efetivamente, o pacote base de triple play permite que os clientes enviem ou recebam apenas 500 GB de dados na internet lá de casa, sendo cobrados os consumos adicionais por cima do valor da fatura. Não foi possível apurar a forma exata de contabilização desses mesmos consumos.

Há vários anos que os portugueses estão habituados a limites no tráfego de dados nos tarifários dos smartphones, mas há muito que não se viam tráfegos limitados na rede fixa. Por exemplo, em meados da década de 2000, o serviço SAPO ADSL, um dos mais populares na altura, já permitia ter tráfego ilimitado com a adesão à fatura eletrónica e débito direto.

A Anacom reconhece isso também. Na nota de imprensa desta segunda-feira, refere: “Trata-se de uma alteração substancial da configuração de produto tendo como referência, pelo menos, a última década.” Por isso, a pergunta que se impõe é: o que dá para fazer com 500 GB, sobretudo num período atípico de pandemia?

125 filmes em FHD, 208 horas de reuniões

Tendo por referência um tamanho médio de 4 GB, o limite definido pela Meo permite assistir a cerca de 125 filmes em Full HD por mês. E numa altura em que uma parte relevante do país está em teletrabalho, com muitas reuniões virtuais à mistura, se tivermos em conta uma utilização de 2,4 GB de dados por cada hora de reunião em grupo, o limite da Meo deverá dar para 208 horas de reuniões no Zoom.

Estes são apenas números redondos para uma comparação generalizada. Vale também, por isso, olhar para dados mais concretos. Segundo o mais recente relatório da Anacom sobre o serviço de comunicações eletrónicas fixo, o regulador calcula um tráfego médio mensal de 185,2 GB por acesso de banda larga fixa.

Significa que, em média, as famílias portuguesas consomem apenas 37% do limite imposto agora pela Meo, pelo que este não terá efeitos na grande generalidade dos portugueses.

Mesmo assim, importa ter em conta que este limite é imposto numa altura em que a internet residencial suporta uma parte importante da economia, com milhares de empresas a optarem pelo teletrabalho para mitigarem o risco de contágio por Covid-19 dos colaboradores.

Além disso, a média de tráfego mensal tem vindo a subir a olhos vistos. Os 185,2 GB de tráfego médio no primeiro semestre de 2020 comparam com os 120,5 GB do primeiro semestre de 2019. Representam, por isso, um aumento de 53,6% em termos homólogos.

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