Financial Times vê “fissuras” na aliança entre Governo do PS e a esquerda

  • ECO
  • 21 Dezembro 2020

O Financial Times dedicou um artigo às "divergências" no acordo entre a esquerda e o Governo que fazem "o apelido depreciativo 'geringonça' parecer lisonjeiro".

As tensões entre o Governo e os partidos da esquerda mereceu um destaque no Financial Times desta segunda-feira. O jornal salienta que as dificuldades resultantes do equilíbrio entre a despesa social e a prudência orçamental estão a gerar dificuldades no pacto que tem mantido no poder o executivo minoritário socialista.

“Nas últimas semanas, o anticapitalista Bloco de Esquerda e o inflexível Partido Comunista Português rejeitaram o PS ao votar com os partidos de centro-direita para derrotarem o Governo em importantes votos parlamentares sobre a despesa pública”, refere o Financial Times. O jornal financeiro britânico cita ainda o comentador Luís Marques Mendes, que alertou para uma “tempestade perfeita” de “ingovernabilidade”.

“António Costa, de quem o ‘compromisso histórico’ com a esquerda radical foi emulado na vizinha Espanha e seguido com interesse por políticos de centro-esquerda na Europa, repreende o BE por falta de ‘maturidade política’ para apoiar medidas impopulares necessárias em tempos de crise”, escreve o jornalista Peter Wise.

Assim, nota o Financial Times, “desde que a pandemia atingiu [o país] em março, no entanto, a crise sanitária e económica de Portugal tem exposto divergências dentro do pacto até ao ponto em que o seu apelido depreciativo ‘geringonça’ parece lisonjeiro”. Citada no artigo, Ana Luís Andrade, analista europeia da Economist Intelligence Unit, refere que “o terreno comum partilhado pelo BE e pelo PS contraiu depois de esgotada a agenda de ‘reversão da austeridade’ durante o primeiro mandato do Governo”.

Já Paula do Espírito Santo, professora de ciência política da Universidade de Lisboa, diz ao jornal que “qualquer decisão política e económica em que o Governo tem esperança de legislar é agora uma oportunidade para os partidos da esquerda e da direita demarcarem posições e procurarem vantagens antes da próxima eleição”.

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