Porto e Lisboa são “muito pouco acessíveis” para o arrendamento jovem

A pandemia pressionou ainda mais os jovens a adiarem a compra de uma casa, optando pelo arrendamento. Mas em muitas cidades europeias o esforço é ainda elevado.

Se antes da pandemia os jovens já sentiam dificuldade em comprar casa, este ano essa dificuldade aumentou ainda mais. De acordo com um estudo da consultora imobiliária JLL, a pandemia veio pressionar os jovens a adiar a compra de habitação, optando pelo mercado de arrendamento. Contudo, em muitas cidades europeias os preços estão longe de ser acessíveis.

De acordo com o relatório European City Dynamics, o novo coronavírus “alterou muitos aspetos da vida dos jovens europeus”, desde a forma como gerem a sua educação superior, à entrada no mercado de trabalho e às necessidades habitacionais. A faixa etária dos 20 aos 34 anos é aquela que tem maior probabilidade de viver sozinho, reforçando, assim, a importância que tem no mercado de arrendamento da maioria das cidades.

Mas, embora importantes, isso não quer dizer que seja fácil ter acesso a esse mercado de rendas. O mesmo estudo mostra que, apesar de serem o grupo com “menor probabilidade de escapar aos impactos económicos da pandemia”, os jovens “enfrentam agora uma acrescida incerteza no emprego, desafios na capacidade financeira para aceder a uma habitação e mobilidade reduzida“.

Isto significa que mais jovens adultos irão continuar a arrendar uma casa, atrasando, assim, a compra de uma habitação. Um inquérito feito pela JLL no Reino Unido mostra que o montante cobrado em rendas pelos proprietários institucionais está em cerca de 96% do valor cobrado no ano passado, “concluindo que os fluxos de rendas gerados mantiveram os níveis normais mesmo no contexto de pandemia”.

“Perceber esta procura dos jovens residentes, nomeadamente aquilo que querem da sua casa, deverá traduzir-se num crescimento de contratos de arrendamento e de compras de imóveis que respondam a estas preferências“, diz Tom Colthorpe, autor do estudo e analista da JLL. “A natureza abrangente da atual crise irá influenciar profundamente os estilos de vida e as decisões financeiras dos jovens nos próximos anos”, acrescenta.

Há “apetência crescente dos jovens portugueses para o arrendamento”

A JLL nota que, em território nacional, há uma “apetência crescente dos jovens portugueses para o arrendamento, num mercado onde não existe atualmente oferta disponível”, lê-se em comunicado. Se por um lado preferem “soluções mais flexíveis”, por outro sabem que “em resultado da atual crise, irá haver maior dificuldade em aceder ao financiamento para aquisição de habitação“.

Mas importa referir um outro aspeto importante: a falta de “oferta adequada às suas [dos jovens] necessidades para arrendar”. O estudo da JLL concluiu que Porto e Lisboa estão entre as cidades “muito pouco acessíveis” para arrendar casa, com 25% a 30% do rendimento médio disponível das famílias a ser alocado à renda de uma habitação. Ambas as cidades estão sinalizadas entre aquelas onde este rácio tende a agravar-se.

Mas há ainda muitas cidades na Europa consideradas mesmo “inacessíveis” para arrendar uma casa, onde a renda de uma habitação consome mais de 30% do rendimento médio disponível. Aqui incluem-se cidades como Londres, Paris, Amesterdão, Barcelona, Dublin, Copenhaga, Varsóvia e Budapeste.

Fernando Ferreira, head of capital markets da JLL, nota, em comunicado, que “os millenialls não querem necessariamente possuir uma casa, querem usá-la e ter flexibilidade e mobilidade nas suas opções de vida”. “Para estes jovens, arrendar não é só uma questão financeira”, conclui.

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