Falta de norma terá obrigado a desperdiçar 6.000 doses de vacina. Ministério da Saúde desmente

  • Lusa e ECO
  • 8 Janeiro 2021

Infarmed autorizou a preparação de seis doses por frasco da vacina da Pfizer, mas isso ainda não está em prática por falta de uma norma da DGS, segundo o Expresso. O Ministério da Saúde desmente.

A falta de uma norma da Direção-Geral da Saúde que permita preparar seis doses por cada frasco da vacina da Pfizer já obrigou a desperdiçar uma quantidade que daria para vacinar seis mil portugueses, revela o Expresso. Contudo, a notícia foi desmentida esta sexta-feira pelo gabinete do Ministério da Saúde.

Segundo o jornal, o desperdício “é generalizado entre os países europeus e deve-se à inércia da Agência Europeia de Medicamentos em aprovar o pedido do primeiro laboratório fornecedor, Pfizer, para que sejam preparadas seis e não cinco doses por frasco”. O pedido de alteração das doses foi entregue ao regulador europeu no dia 30 de dezembro, mas continua sem resposta.

Contudo, o Infarmed encontrou uma solução interna e já autorizou a preparação de seis doses por frasco, um procedimento que ainda não está em prática por falta de uma norma da Direção-Geral da Saúde (DGS). Em declarações ao Expresso, o coordenador do Plano Nacional de Vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos, confirmou a necessidade de haver uma norma para permitir o fim do desperdício de uma dose por frasco, mas garantiu que a orientação “está pronta para ser publicada”.

Segundo o Expresso, até terça-feira “tinham sido administradas 32 mil vacinas, ou seja, foram abertos seis mil frascos, e de cada um foi deitada fora uma dose”. Segundo escreve o jornal, além do Infarmed, outros reguladores de medicamentos adotaram as novas recomendações da Pfizer e a preparação de seis doses foi logo posta em prática, como aconteceu em Itália, Reino Unido, Suíça, Israel e Estados Unidos.

Contudo, segundo um comunicado do Ministério da Saúde divulgado após a divulgação da notícia, uma nota do Infarmed de 30 dezembro confirmou essa possibilidade de extrair 6 doses, “permitindo a administração de 6 doses por frasco, desde que fosse sempre verificado e assegurado o volume de 0,3 ml previamente a cada administração”. “Esta nota foi divulgada e disseminada estando a ser praticada na administração desta vacina“, assegura o gabinete de Marta Temido, concluindo que “é, portanto, falso que Portugal tenha desperdiçado a 6.ª dose, conforme o Expresso noticia”.

A vacina da Pfizer foi a primeira a ser autorizada e a chegar a Portugal. A da Moderna, que também implica duas administrações, começa a ser entregue na próxima semana (260 mil unidades até março) e está pronta a usar.

“Vai chegar em embalagens de cinco ou dez unidades (doses) e não requer reconstituição”, adianta Francisco Ramos.

Sem o desperdício de uma dose por frasco da vacina da Pfizer, escreve o Expresso, “só em janeiro seria possível proteger 31.900 portugueses, com duas doses, além do planeado“.

Em Portugal a campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se a 27 de dezembro nos hospitais, abrangendo os profissionais de saúde, e já se estendeu-se aos lares de idosos.

A primeira fase do plano de vacinação, até final de março, abrange também profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos.

Nesta fase serão igualmente vacinadas, a partir de fevereiro, pessoas de idade igual ou superior a 50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração.

A segunda fase arranca a partir de abril e inclui pessoas de idade igual ou superior a 65 anos e pessoas entre os 50 e os 64 anos de idade, inclusive, com pelo menos uma das seguintes patologias: diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, hipertensão arterial, obesidade e outras doenças com menor prevalência que poderão ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico.

Na terceira fase será vacinada a restante população, em data a determinar.

As pessoas a vacinar ao longo do ano serão contactadas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

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