Fechar escolas ajuda a reduzir contágio, garante o epidemiologista Baltazar Nunes

Baltazar Nunes diz que as estimativas mostram que é possível baixar o R para valores abaixo de 1, desde que se fechem outros setores de atividade. Redução é maior com fecho das escolas.

Com base em três cenários (escolas abertas, parcialmente abertas ou completamente fechadas), o epidemiologista Baltazar Nunes defende que as estimativas mostram que é possível baixar o índice de transmissibilidade, o chamado R, para valores abaixo de 1, desde que se fechem outros setores de atividade, tal como aconteceu em março e abril. Ainda assim, diz que se fecharem as escolas, a “redução é mais acentuada”.

Na reunião do Infarmed, o especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) alerta que “se não houver intervenção”, o “número de hospitalizações e casos vai aumentar de forma exponencial”. Já com medidas durante duas semanas, “o R volta a aproximar-se de um, em todos cenários exceto fecho de escolas”, sinaliza o Baltazar Nunes.

Mas é como o encerramento das escolas que “o efeito será prolongado no tempo”, aponta o perito. Nesse sentido, o especialista reitera que “quanto maior for o confinamento, e mais fechadas estiveram as escolas e a comunidade, maior é a redução da transmissão” da doença.

Em suma Baltazar Nunes diz que a “implementação durante um mês de medidas de redução de contactos como março e abril e escolas abertas já e suficiente para R abaixo de um”, mas se fecharem as escolas, a “redução é mais acentuada”, reitera.

Na sequência do disparo de novas infeções registadas nos últimos dias, o primeiro-ministro anunciou que Portugal iria entrar em novo confinamento com medidas semelhantes às aplicadas em março, ainda que com a exceção do fecho das escolas, por forma a evitar o recurso à telescola e ao ensino à distância, justificando que este era o entendimento dos peritos. Ainda assim, o Governo está disposto a dar um passo atrás na decisão, estando preparado para fechar as escolas se os epidemiologistas o recomendarem, de acordo com o Diário de Notícias (acesso pago).

(Notícia atualizada às 11h49)

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