Excedente externo em vias de extinção? Foi de apenas cinco milhões até novembro

A queda do excedente comercial do turismo foi superior à diminuição do défice na troca de bens, levando à deterioração do excedente externo da economia portuguesa em 2020.

É um excedente que chega mais tarde e mais pequeno do que em anos anteriores, além disso ameaça ser revertido. De acordo com os dados do Banco de Portugal divulgados esta quarta-feira, o excedente externo de Portugal fixou-se em cinco milhões de euros entre janeiro e novembro de 2020. Com apenas um mês em falta para completar o ano, há o risco de se tornar em défice, o qual seria o primeiro desde 2011.

“Até novembro de 2020, o saldo conjunto da balança corrente e de capital situou-se próximo do equilíbrio, tendo registado um pequeno excedente de cinco milhões de euros, o que compara com o excedente de 1783 milhões de euros em igual período de 2019“, revelou o banco central esta quarta-feira. A comparação com anos anteriores é clara: o excedente chegou mais tarde — tinha chegado em agosto em 2019 — e em menor dimensão, tal como mostra o gráfico.

A questão que se coloca é se este pequeno excedente até novembro está em vias de extinção. Tal dependerá dos valores de dezembro que serão influenciados por uma série de fatores. Mas, se o excedente até novembro se transformar num défice externo até dezembro, será a primeira vez que Portugal registará um desequilíbrio nas contas externas desde 2011. Entre 2012 e 2019 houve sempre excedente externo, de acordo com a série do Banco de Portugal.

O que aconteceu em 2020? A pandemia teve um forte impacto tanto nas exportações como nas importações, reduzindo o comércio internacional de forma abrupta em março e abril. A composição do excedente externo de Portugal ajuda a explicar esta deterioração dado que grande parte do excedente vinha das exportações de turismo (serviços), que foi dos setores mais afetados.

Este efeito foi superior à descida do défice do lado dos bens. Ao contrário dos serviços, Portugal continuou a ter um défice comercial na troca de bens, o qual até melhorou durante este ano mas não o suficiente para compensar a queda do excedente dos serviços.

O Banco de Portugal demonstra-o em números: “Neste período, o défice da balança de bens diminuiu 5000 milhões de euros face ao período homólogo, fixando-se em 10341 milhões de euros. Contudo, o excedente da balança de serviços reduziu-se em 8727 milhões de euros, para 7586 milhões de euros. Esta redução foi maioritariamente justificada pelo decréscimo acentuado do saldo da rubrica viagens e turismo, de 7610 milhões de euros”.

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