PSD e PS unem-se para travar auditoria à gestão privada na TAP

O Bloco de Esquerda entregou no Parlamento um projeto de resolução que "recomenda ao Governo que seja elaborada uma auditoria à gestão privada da TAP", mas não conseguiu apoio dos maiores partidos.

A gestão privada da TAP é alvo de críticas partidárias da esquerda à direita, mas a proposta do Bloco de Esquerda para que seja feita uma auditoria não vai avançar. PS, PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal vão votar contra o projeto, que conta apenas com apoio à esquerda.

O Bloco de Esquerda entregou no Parlamento um projeto de resolução que “recomenda ao Governo que seja elaborada uma auditoria à gestão privada da TAP”. No debate que aconteceu esta quarta-feira na véspera da votação, a deputada bloquista Isabel Pires explicou que o objetivo é apurar responsabilidades da gestão do acionista David Neeleman deixou a companhia aérea. “Se a pandemia veio trazer uma situação difícil para todo o setor da aviação civil, também é verdade que a gestão privada da TAP deixou marcas que ainda hoje se sentem“.

Entre os restantes partidos, apenas os deputados do PCP (que foi responsável pela iniciativa que levou ao agendamento do debate em questão), do partido ecologista Os Verdes e do PAN declararam apoio, o que não chega para aprovação. A deputada Inês Sousa Real, do PAN, explicou pretender que a análise “permita identificar e quantificar todas as ações que possam ser suscetíveis de ter lesado interesse público”.

Iniciativa Liberal vai fazer nova proposta de auditoria

Outros partidos — o PSD e o IL — mostraram abertura para uma auditoria, mas não no formato delineado pela proposta. “Estamos disponíveis para aprovar uma auditoria séria, que investigue todo o processo da TAP, efetuada por entidades independentes. Não estamos disponíveis para auditorias direcionadas e que servem apenas uma qualquer cartilha ideológica”, disse o deputado do PSD Carlos Silva.

O Parlamento terá, no entanto, outra oportunidade para mudar de ideias já que João Cotrim Figueiredo anunciou a intenção de propor também uma auditoria. “Estamos totalmente de acordo que será útil ter uma auditoria à gestão anterior da TAP, mas é bom que essa auditoria não assuma logo as conclusões como a proposta do Bloco parece fazer. Se a auditoria é para apurar a verdade dos factos, não faz sentido assumi-la à partida. É com esse espírito de querer saber quem é responsável por uma fatura aos contribuintes, que já vai em quase 4 mil milhões de euros, que a Iniciativa Liberal também vai propor uma auditoria ao processo de renacionalização da TAP para ver se, desta vez, a culpa não morre solteira“.

PS e CDS-PP justificaram o voto contra o projeto por considerarem que é tempo de focar na reestruturação em vez de uma auditoria. “Estamos numa fase complexa de definir o plano de reestruturação da TAP e não me parece ser o momento certo para fazer uma auditoria a qualquer gestão, quer seja pública ou privada”, explicou Carlos Pereira, do PS. “Estamos muito empenhados em encontrar um plano de reestruturação da TAP que permita garantir a sustentabilidade da TAP e proteção dos trabalhadores”.

PSD alinha com PCP no pedido do plano de reestruturação

Questionado pelo ECO, fonte do PSD clarificou que irá votar contra a proposta do BE, mas que em relação à proposta do PCP irá pedir a desagregação para que seja votada por pontos. E nesse caso irá votar a favor do ponto que requer ao Governo que entregue ao Parlamento o plano de reestruturação que foi enviado a Bruxelas.

Apesar de na discussão não ter sido feita referência a desagregação, este ponto deverá contar com votos a favor dos partidos que apoiaram a totalidade do projeto do PCP, ou seja, BE, PEV e PAN. O CDS-PP também se mostrou a favor de ter acesso ao documento. “Discutir questões relativas aos trabalhadores e ao papel que queremos para determinada empresa, não tem qualquer sustentabilidade. Por isso é que não é possível continuar a fazer um debate sobre a TAP, sem o Governo dar a este Parlamento para que possamos fazer essa discussão“, disse o centrista João Almeida.

Tal como o projeto bloquista, também o comunista não deverá ser aprovado de forma agregada. Além do acesso ao documento, o PCP pede a reversão do decreto da TAP como empresa em situação económica difícil, da suspensão dos acordos de empresa e do plano de despedimentos.

O que a TAP precisa o quanto antes não é de uma pseudo-reestruturação, é de um plano de contingência que lhe permita enfrentar os efeitos da pandemia e ultrapassar este momento em condições de poder retomar a atividade quando a situação de saúde pública o permitir”, sublinhou o deputado do PCP, Bruno Dias.

(Notícia atualizada às 18h45)

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