Reclamações contra serviços de entrega de refeições ao domicílio quase triplicaram

As reclamações dos portugueses contra serviços como a Uber Eats e Glovo quase triplicaram em 2020. Estes serviços foram também os alvos do maior número de reclamações.

As reclamações referentes a serviços de entrega de refeições ao domicílio dispararam em ano de pandemia, num período em que também cresceu a utilização deste tipo de serviços.

Entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2020, o Portal da Queixa recebeu 3.314 reclamações referentes a este tipo de plataformas, o que representa um aumento de 190% — quase o triplo — em comparação com o ano anterior.

As aplicações Uber Eats e Glovo, elas próprias líderes de mercado neste negócio em grande parte do país, lideraram a lista das plataformas de entrega de refeições ao domicílio alvo de mais reclamações por parte dos clientes.

A Uber Eats foi alvo de 77% do total das queixas sobre entregas de refeições ao domicílio, contra 21% referentes à Glovo. O atraso nas entregas (28,3%), pedidos de reembolso (27,5%) e produtos em falta (16,4%) foram os motivos que mais suscitaram queixas dos portugueses.

O maior número de queixas por parte dos consumidores foi registado em abril (392), novembro (393) e dezembro (488), meses em que os portugueses também passaram mais tempo em casa, por causa da ameaça da Covid-19.

Em março de 2020, mês que foi declarado o primeiro estado de emergência, verificou-se a maior variação de crescimento face a 2019: 617%, isto é, quase sete vezes mais.

Com a entrada em vigor de um novo confinamento generalizado em Portugal, o Governo decidiu impor limites às taxas cobradas por serviços de entregas de refeições e às comissões cobradas aos restaurantes. Estas não podem agora exceder 20% do valor da refeição e as taxas de entrega não podem aumentar durante este lockdown.

O Portal da Queixa alerta que esta medida pode agravar o volume de reclamações e a Uber Eats também reagiu à imposição do Executivo, avisando que as limitações tornam o serviço menos acessível.

Para o CEO e fundador do Portal da Queixa, Pedro Lourenço, “o verdadeiro problema” da qualidade do serviço destas empresas não está relacionado com as taxas de comissões, mas sim, com os problemas que são relatados pelos consumidores”.

“Mais uma vez, os responsáveis governativos reagiram aos potenciais problemas económicos e não foram proativos a solucionar os problemas do lado do consumidor e com isso potenciar a economia de escala”, sublinhou, citado em comunicado.

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