China impõe sanções a vários responsáveis da administração de Trump

  • Lusa
  • 21 Janeiro 2021

Os responsáveis sancionados "não poderão entrar na China, Hong Kong e Macau, e as suas empresas e instituições ficarão impedidas de fazer negócios no país".

A China impôs esta quinta-feira sanções ao ex-secretário de Estado norte-americano cessante, Mike Pompeo, e a outros funcionários da administração do antigo Presidente, Donald Trump, por “violar” a soberania do país asiático.

Numa declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, lê-se que para além de Pompeo, foram sancionados outros membros da antiga administração de Trump: Peter Navarro, antigo conselheiro comercial da Trump, Robert O’Brien, subsecretário para os Assuntos da Ásia Oriental e Pacífico, Alex Azar, secretário de Saúde e Serviços Humanos, entre outros.

Todos eles tiveram fricções com Pequim em algum momento: por exemplo, Azar tornou-se em agosto do ano passado o mais alto funcionário norte-americano a fazer uma visita oficial a Taiwan – que a China reivindica como parte da sua soberania – desde 1979, provocando um forte protesto de Pequim.

O país asiático também sancionou o antigo conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, e antigo conselheiro Steve Bannon, um antigo estratega da Casa Branca e a quem foi concedido um perdão presidencial pelo Presidente cessante algumas horas antes de deixar o cargo.

“Todos eles, bem como as suas famílias, não poderão entrar na China, Hong Kong e Macau, e as suas empresas e instituições ficarão impedidas de fazer negócios no país“, informou esta quinta-feira o ministério chinês.

Na declaração acrescenta-se que nos últimos anos “alguns políticos anti-China, motivados pelo interesse próprio, preconceito e ódio, sem demonstrar qualquer consideração pelos interesses do povo chinês e americano, planearam, promoveram e executaram uma série de medidas absurdas que interferiram seriamente nos assuntos internos da China, minaram os seus interesses, ofenderam o seu povo e alteraram gravemente as relações bilaterais”.

Na passada terça-feira, Pompeo tinha chamado “genocídio” à repressão de Pequim contra a minoria uyghur, quando declarou que “a China, sob a liderança e controlo do Partido Comunista da China, cometeu genocídio contra os uyghurs predominantemente muçulmanos e outras minorias étnicas e religiosas em Xinjiang”.

Anteriormente, Pompeo tinha marcado a China como uma “frágil ditadura” que não pode aspirar à “liderança global” depois de um tribunal chinês ter condenado dez dos doze habitantes de Hong Kong que tentaram fugir do território para Taiwan em agosto.

Conter a ascensão da China foi uma das obsessões do Presidente norte-americano cessante Donald Trump, cujas políticas protecionistas terão de ser calibradas pelo seu sucessor, Joe Biden, à medida que Pequim avança na sua campanha para expandir as suas redes de influência.

Resta saber como o sucessor de Pompeo, Antony Blinken, irá lidar com a China. Blinken disse na terça-feira que concordava “em termos gerais” com a abordagem da administração Trump à China, embora tenha dito que não concordava com os seus métodos.

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