Fórum para a Competitividade vê Portugal em “recessão técnica” e diz que retoma em 2021 “enfrenta acentuados riscos negativos”

O Fórum para a Competitividade prevê uma nova contração do PIB no primeiro trimestre de 2021, colocando Portugal em "recessão técnica". Quanto à retoma este ano avisa que "enfrenta acentuados riscos".

Não é com otimismo que o Fórum para a Competitividade olha para 2021, ainda que arrisque já a prever, como fez a Católica, uma contração do PIB em 2021. A entidade considera que o seu cenário de recuperação do PIB, entre 1% e 4% em 2021, “enfrenta acentuados riscos negativos”. Mais certezas há em relação ao primeiro trimestre deste ano com o novo confinamento a provocar uma contração da economia, colocando Portugal em “recessão técnica” (dois trimestres consecutivos de contração do PIB).

Os novos confinamentos de 2021, cujo fim é ainda muito difícil de prever, os valores extremamente elevados de novos casos de Covid e de mortes deverão trazer nova quebra do PIB no 1º trimestre do ano, criando uma situação chamada de ‘recessão técnica’, que se caracteriza por dois trimestres seguidos de queda do produto”, lê-se na nota de perspetivas empresariais relativa ao quarto trimestre de 2020, onde se alerta que “há sérios riscos de a recuperação não ocorrer como vinha sendo esperado”.

Contudo, para já, o Fórum para a Competitividade mantém a previsão de crescimento do PIB de, no máximo, 4% este ano, recuperando face à contração anual de entre 8 a 10% em 2020. Ou seja, para já não segue o caminho da Católica que já tem como cenário central uma contração de 2% em 2021, ainda que esta tenha ressalvado que a incerteza é muita e que não exclui uma recuperação este.

Tudo depende das restrições, que está dependente da pressão sobre o sistema de saúde, e do ritmo da vacinação. “Neste momento, Portugal destaca-se pela negativa nos indicadores da pandemia (novos casos e mortes) e há receios de atrasos nas vacinas”, diz o Fórum, concluindo que “se estes dois fatores persistirem, há o risco sério de o verão não assistir a uma clara recuperação do turismo, com implicações negativas para o resto da economia e para a taxa de desemprego“.

Com base no feedback que tem do tecido empresarial, o Fórum para a Competitividade afirma que “há muitas empresas dependentes desta recuperação que, se não se materializar, tem condições para produzir fortes estragos“. Teme-se que, ao contrário do que aconteceu no confinamento do ano passado, as empresas já não tenham margem para aguentar um novo choque. Porém, os apoios públicos já estão no terreno pelo que se espera que cheguem mais cedo e sejam mais eficazes.

Certo é que a forte recuperação da economia em 2021 que chegou a ser prevista durante 2020 deixou de ser realista. “As mais recentes previsões internacionais têm repetido um padrão: menor pessimismo para 2020, mas uma recuperação mais lenta em 2021 e nos anos seguintes“, assinala o Fórum, destacando que “as novidades das últimas semanas (novas estirpes do vírus, atrasos nos programas de vacinação e novos confinamentos) deverão reforçar a lentidão da retoma no ano corrente“.

Ao contrário dos sinais dos últimos meses — a taxa de desemprego tem vindo a cair desde agosto –, o mercado de trabalho deverá deteriorar-se perante os novos desenvolvimentos, segundo o Fórum, uma vez que “as ajudas [públicas] às empresas deverão ser insuficientes para adiar algum do desemprego escondido, que se manifestará mais cedo ou mais tarde“. A entidade nota que neste momento as “previsões mais recentes são unânimes em antecipar uma subida da taxa de desemprego em 2021”.

Quanto aos setores, confirma-se a assimetria já identificada com os serviços e o turismo a registar uma “degradação das perspetivas”, ao contrário da indústria, construção e comércio onde houve melhoria em dezembro. Ainda assim, o Fórum considera que também nestes setores haverá um retrocesso “em resultado dos limites à atividade entretanto decretados”.

As empresas exportadoras esperam um aumento de 4,9% das exportações em 2021, insuficiente para recuperar a queda de 10% que deverão sofrer em 2020″, refere ainda o Fórum para a Competitividade.

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