Horta Osório vai substituir Luís Portela como chairman da Bial

Após ser nomeado chairman do Credit Suisse, um dos maiores bancos do mundo, Horta Osório vai ser também presidente não executivo do conselho de administração da farmacêutica portuguesa.

António Horta Osório vai ser o próximo presidente não executivo do conselho de administração da farmacêutica portuguesa Bial, a partir de abril. Após anunciar a saída do cargo de presidente executivo do banco Lloyds, o banqueiro português foi nomeado chairman do Credit Suisse, um dos maiores bancos do mundo, e agora vai também substituir Luís Portela, acionista maioritário da empresa e presidente durante os últimos 42 anos.

“A Bial é uma das empresas portuguesas que mais admiro e, por isso, o convite que me foi dirigido pelo Luís Portela constitui um enorme orgulho. O Luís lançou a Bial no mundo, tornando-a numa empresa internacional de renome. Desejo que a minha experiência ajude a consolidar ainda mais esse caminho”, evidencia António Horta Osório, citado em comunicado.

António Horta Osório, de 56 anos, tem uma longa carreira na banca, que teve início em 1987 no Citibank, passando depois pelo Goldman Sachs, em Nova Iorque e Londres. Em 1993, foi convidado por Emilio Botín para o Santander, onde criou o Banco Santander de Negócios Portugal, tendo liderado as operações do banco no país e no Brasil e, posteriormente, no Reino Unido, tornando-se, em 1999, vice-presidente executivo do Grupo Santander. Foi durante quase 20 anos o braço direito de Emilio e de Ana Botín no gigante Santander.

Onze anos depois António Horta Osório foi nomeado presidente executivo do Lloyds. No seu currículo acumula ainda lugares de administrador não executivo no Banco de Inglaterra e em alguns grandes grupos económicos, como a Exor (holding da família Agnelli) e a INPAR (holding da família Lemann), que ainda mantém. No verão passado anunciou a sua saída do Lloyds no final do atual mandato, completando um ciclo de dez anos à frente daquele que é o maior banco comercial e de retalho do Reino Unido.

Em dezembro foi noticiado que António Horta Osório será o futuro chairman do banco Credit Suisse, a partir de maio deste ano. Será o primeiro banqueiro não suíço a assumir este cargo. No Credit Suisse, Osório vai ocupar o lugar do banqueiro suíço Urs Rohner que chegou ao limite permitido pelos estatutos de renovação de mandatos (12 anos).

Em Portugal, para além de assumir a função de chairman da farmacêutica portuguesa Bial, o banqueiro português com mais currículo desempenha funções não executivas na Fundação Champalimaud e na Sociedade Francisco Manuel dos Santos.

Luís Portela revela que “esta mudança vem sendo preparada há algum tempo, visando, por escolha da minha família, o reforço da estrutura profissional que desenvolvemos, preparando a Bial para um novo patamar no contexto internacional.” E acrescenta: “Retiro-me com um enorme agradecimento à fantástica equipa que tive o privilégio e o prazer de capitanear e com a convicção de que, com o apoio de António Horta Osório, estão criadas condições para servirmos cada vez melhor a saúde de um cada vez maior número de pessoas”, refere Luís Portela, citado em comunicado.

Luís Portela já tinha anunciado a intenção de retirar-se da vida profissional antes dos 70 anos — que atinge dentro de meses –, para se dedicar à Fundação Bial, aos seus livros e à família. A farmacêutica criada pelo seu avô, em 1924, continua a ser gerida pela família, embora já com uma dimensão internacional e com dois medicamentos resultantes de investigação própria, um antiepilético e um antiparkinsoniano. A presidência executiva passou para as mãos do seu filho mais velho, António, em 2011, subindo Luís Portela a chairman. Um ano antes, o filho Miguel Portela também passou a fazer parte da administração, reforçando a presença da quarta geração da família na gestão.

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